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terça-feira, 20 de novembro de 2012

Recuperando a Linha Auxiliar

Será que a Linha Auxiliar voltará a ver trens em seus trilhos?

Após os 13 capítulos de nossa expedição fotográfica pelo trecho da Linha Auxiliar entre Japeri e Paraíba do Sul, e, cientes do estado atual em que o ramal se encontra, o Pensando Adiante faz a seguinte pergunta: Seria viável a recuperação daquele trecho?

Vamos analisar a questão sob a ótica das três possíveis interessadas no retorno da operação de trens no ramal: A Supervia, a Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) e a MRS Logística.

1) Aspecto Comercial:

FCA: Para a FCA, trata-se de um ramal morto, ligando o nada a lugar nenhum. Poderia ter utilidade caso aparecesse alguma carga oriunda do Sudeste Mineiro para a região metropolitana do Rio de Janeiro - ainda sim dependendo da reconstrução dos trilhos de bitola métrica desde Japeri até a cidade do Rio - mas, para a empresa, faria mais sentido levar esta carga até Barão de Angra e transbordá-la para a MRS, assim como ela já faz com a bauxita vinda de Cataguases.

MRS: Poderia fazer sentido para a MRS uma conversão do ramal para bitola larga e uso do mesmo como uma alternativa à Linha do Centro para a movimentação de trens que não sejam muito longos ou pesados - visto que por causa do perfil da linha, e, o fato do trecho passar por áreas densamente urbanizadas, seria contraproducente a operação de um tráfego mais intenso ali. Talvez atualmente não exista necessidade de tal coisa, mas, no futuro, com o incremento do tráfego ferroviário, esta ligação alternativa pode ser útil para a MRS.

Supervia: A concessionária de trens urbanos da Região Metropolitana do Rio de Janeiro poderia implantar um trem de passageiros ligando aquela região à sua malha ferroviária. Em virtude do alto preço das passagens dos ônibus que atendem a região (a tarifa entre o Rio e Miguel Pereira ronda a faixa dos R$ 25,00), uma tarifa atraente poderia atrair passageiros, mesmo que o modal rodoviário possa fazer este deslocamento com maior rapidez.

2) Aspecto Técnico:

Como vimos na série Em Busca da Linha Auxiliar, o fato do leito da ferrovia ter sido engolido pelas cidades em vários pontos, torna praticamente impossível o retorno do tráfego naquela região. Tanto para a FCA e a MRS não seria atraente em um primeiro momento investir na linha e, se a coisa exigir muito atrito com Prefeituras, aí mesmo que elas desistiriam.

Uma sugestão que damos aqui é a construção de uma variante de 15 km entre o Viaduto Paulo de Frontin e Arcozelo. A ferrovia subiria a serra pelo lado direito ao invés do esquerdo e contornaria as cidades de Miguel Pereira e Paty do Alferes, evitando as áreas em que o leito e a faixa de domínio se encontram mais comprometidos.


Evidente que tal variante não serviria aos trens de passageiros, pois passaria por fora do núcleo urbano das duas principais cidades do trecho. Mesmo assim, o leito remanescente pode ser utilizado por trens de passageiros, que por serem mais leves não causariam tanto impacto no meio urbano das cidades atravessadas.

3) Aspecto Financeiro:

No caso da construção de uma variante, é evidente que ela exigiria várias obras de arte. Os trechos remanescentes também precisariam ser adaptados para receber novamente a circulação de trens. Para a FCA esta linha é um ramal morto e a MRS só investiria em algo assim caso houvesse uma necessidade real e extrema, afinal, as concessionárias não estão preocupadas com preservação ferroviária, mas somente com seu lucro.

Mesmo para o transporte de passageiros, o custo de recuperação da linha (que certamente não ficaria nada muito barato) iria pesar muito na balança. Caso o Governo do Estado se sensibilizasse com a necessidade da população daquela região de ter um transporte mais barato, uma luzinha poderia se acender, porém, como hoje todos estão bem-servidos com os caros e desconfortáveis ônibus que operam naquela região, a hipótese da reativação dos trens nem será conjecturada.

Enquanto isso, a Linha Auxiliar, que tanto progresso trouxe àquela região e ao Estado, fica lá, abandonada, esperando adormecida pelo seu destino.

2 comentários:

  1. Uma análise sensata e sem saudosismos. Uma pena, mas infelizmente é a realidade desta ferrovia e de muitas outras abandonadas por ai.

    Se nunca tivessem sido abandonadas e sim mantidas, os custo teriam sido diluídos com manutenções preventivas e muitos custos, como os de invasões não existiriam. Mas para isso as concessionária deveriam ter ao menos obedecido os contratos e o governo ter sido presente fiscalizando e não fazendo vista grossa.

    Agora após mais de uma década de abandono a ANTT ameaça multa caso a FCA não recupere o trecho, mas o valor da multa é um pouco mais baixo que a ESTIMATIVA do custo de restauração, para mim não resta dúvidas qual alternativa a FCA vai escolher, ainda mais considerando-se que no Brasil esse tipo de multa é parcelada em milhões de vezes com juros irrisórios, sem falar na possibilidade de eles descontarem isso de outros investimentos.

    Brasil!

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  2. Os trilhos podiam ser substituídos por bitola larga, a ferrovia eletrificada e usada para o transporte de passageiros entre Três Rios e Japeri; com as devidas adaptações necessárias e administrada pela supervia.

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