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domingo, 30 de setembro de 2012

Além da Dor de Corno


Há algum tempo atrás fiz uma postagem intitulada Top Five Músicas de Corno. Dor de Corno é uma coisa que dura por algum tempo, mas logo em seguida você passa para uma situação em que nem quer ouvir falar da pessoa. Então, no Domingo Musical de hoje, apresentamos um top five de músicas que expressam este sentimento:

5
Trio Parada Dura
Telefone Mudo

4
Queen
I Want to Break Free

3
Paula Fernandes
Pra Que Conversar

2
Tião Carreiro e Pardinho
Arrependida

1
Jennifer Lopez
Que Hicieste

sábado, 29 de setembro de 2012

Contrato Social da Ditadura

Já escrevi um artigo chamado Adeus Médici. Porém,
seria hora de um Volta Médici?

O conceito de contrato social refere-se às obrigações e deveres existentes entre o indivíduo e a sociedade como um todo. Quando falamos em sociedade, nos referimos de maneira mais específica ao órgão que controla e dirige esta sociedade: o governo.

Quando um indivíduo nasce no Brasil, automaticamente entra em vigor um contrato entre esta pessoa e a República Federativa do Brasil. O recém-nascido assume obrigações e deveres perante à nação que o acolheu, e esta nação, pelo menos em tese, assume também suas obrigações e deveres perante ao seu acolhido.

É importante lembrar que se trata de um contrato à revelia. Alguém que nasce no Brasil não tem o direito de questionar a validade deste contrato e seus termos. Se nasceu, já era.

Porém, o contrato não é só entre o indivíduo e a sociedade (leia-se governo), mas, também, entre a sociedade e o indivíduo. Entretanto, é claro que, embora as altas esferas cobrem do cidadão sua plena obediência ao estabelecido em contrato, nem sempre (ou quase nunca) o contrário ocorre.

Vejamos o Brasil de hoje. O grupo político que hoje controla a máquina pública tenta, aos poucos, contornar os direitos garantidos a todos nós pela Constituição a fim de instalar uma ditadura no país. Enquanto isso, falta segurança, qualidade na educação, saúde, infra-estrutura, apoio à indústria e ao empresariado. Sim, ainda temos o direito democrático de reclamar e lutar contra isso. Não que isso adiante muita coisa, pois vemos o Partidão e Seus Aliados ignorando solenemente a ética em prol de seus próprios interesses.

O PAC está parado, os servidores públicos se envolvem em greves, entre tantos outros problemas - mas a cúpula do Partidão só se preocupa em pensar em um modo de livrar os mensaleiros da cadeia.

Na época da ditadura militar, tínhamos uma situação bem particular. O governo constituído exigia sua obediência ao status quo, porém, lhe garantia os direitos previstos em lei. Desde que você não se levantasse contra o regime, não te faltaria saúde, segurança, educação, moradia, etc. Hoje em dia temos uma democracia em que você pode se levantar à vontade contra o regime - porém, de nada adianta, pois ele se perpetua no poder através de lavagem cerebral nas massas e nada faz de concreto pelo país.

Aliás, ainda temos democracia no Brasil. Mas, é notório que o objetivo do Partidão é transformar o Brasil em um regime totalitarista. O problema será se eles subverterem nosso direito de expressão, e continuarem nos negando nossos direitos constitucionais.

Na ditadura militar, isso pelo menos não ocorria. O direito de expressão era limitado, mas quem respeitava a ditadura era igualmente respeitado. Não que eu queira aqui fazer proselitismo da ditadura, afinal, os tempos de ferro do regime militar trouxeram muitas feridas ao seio de nossa nação e não desejo nunca que isso seja revivido. Porém, eu deixo aqui a pergunta: vale a pena abrirmos mão de alguns direitos básicos em prol de um governo que seja realmente paternalista?

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Vendendo a Alma a Jean Charles Naouri


Jean Charles Naouri, o ousado empresário francês que controla o Groupe Casino, conglomerado do setor de supermercados, conseguiu realizar um de seus grandes objetivos: conquistar o controle do Grupo Pão de Açúcar, visto que para ele o crescimento do Casino nos mercados emergentes é essencial para aliviar os balanços financeiros em um cenário de crise na Europa.

Para tanto, Naouri conseguiu dobrar ninguém mais ninguém menos que Abílio Diniz, uma das grandes raposas do capitalismo brasileiro. Mas como ele fez isso? Naouri usa uma tática que pode ser considerada idêntica à maneira como os demônios supostamente amarram as pessoas com pactos: Naouri dá para a pessoa tudo o que ela deseja, mas, em troca, exige sua alma (ou quase isso) depois de um tempo.

Como isso funciona na prática? Imaginemos que você é o dono de um botequim de beira de estrada. Naouri te procura e faz a proposta de te dar um milhão de reais por 40% do botequim, com o compromisso de investir pesado para transformar o botequim em um negócio da china. Outrossim, ele exige que depois de cinco anos, o estabelecimento passe para o controle dele.

Você certamente vai ficar com os olhos brilhando por causa das cifras e nem vai se preocupar muito com a obrigação de passar o negócio para o controle dele. Pois bem, Naouri investe pesado e transforma o seu botequim em uma churrascaria de alto nível. O dinheiro começa a entrar feito água e você se maravilha com a maneira como o seu botequim se transformou em um negócio de nível. Mas aí, cinco anos depois, quando você já está acostumado com as benesses que o negócio te trouxe, Naouri vem até você e diz: Olha, lembra do nosso acordo? Então, agora a churrascaria é minha!

Entre o fim da década de 90 e começo da década seguinte, Abílio Diniz precisava capitalizar o Grupo Pão de Açúcar, porém, o crédito estava escasso. Foi quando apareceu o generoso investidor francês com sua proposta tentadora de investir pesado com a condição de ganhar o controle do negócio depois de um certo tempo. É difícil saber qual era a real situação do Grupo Pão de Açúcar na época, mas no mercado comentava-se que se Abílio não aceitasse a ajuda, o Pão de Açúcar iria quebrar.

Para o mal ou para o bem, Abílio Diniz aceitou a proposta e, graças ao aporte de capital proporcionado pelo Casino, o Grupo Pão de Açúcar cresceu em escala logarítmica. Só que Abílio Diniz sabia que, a partir deste momento, ele estaria esquentando a sua cadeira para Naouri sentar. Abílio resolveu ir à luta e tentou uma associação com o Carrefour que o livraria da obrigação de transferir o controle do grupo para Naouri. Não logrou êxito, e, derrotado, teve que passar o controle do Pão de Açúcar para o francês.

Naouri jogou para ganhar, e ganhou. Apesar do francês usar de estratégias um tanto diabólicas, Abílio sempre esteve ciente do risco que estava correndo em vender sua alma. Mas pactos são assim mesmo: você usufrui das benesses por um período, mas logo chega o dia em que a casa cai.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Em Busca da Linha Auxiliar - Parte 06

Nossa série temática sobre a Linha Auxiliar está de volta! Agradecemos sua presença!

As fotos a seguir foram retiradas do Google Maps, do Google Street View e do Panoramio. As fotos do Panoramio estão devidamente creditadas aos seus autores no corpo da imagem.

Duas cruzes de Santo André sentinelando uma passagem de nível.

Trilhos à margem da Rua Machado Bittencourt.

Trilhos no centro de Miguel Pereira, vistos no sentido Rio de Janeiro.

O mesmo local da foto anterior vista no sentido interior. Apesar dos trilhos
ainda estarem lá, é visível a maneira como a faixa de domínio foi engolida
pela cidade.

Faixa de domínio virou jardim.

Entrada da Estação Ferroviária de Miguel Pereira.

Close das plataformas da Estação.

Passagem de nível localizada após a Estação, vista no sentido
Rio de Janeiro.

Flagrante de carros estacionados sobre os trilhos. Os gigantes de
ferro já não impõem sua presença por aqui.

Outro jardim construído sobre a faixa de domínio.

Continua na Parte 07.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Rubinho na Stock-Car?


Após ficar a pé na Williams para a temporada de 2012, Rubens Barrichello aceitou o convite de seu amigo Tony Kanaan para fazer um teste por sua equipe na IZOD IndyCar Series. Os resultados de Rubinho nos testes foram tão impressionantes que no primeiro dia de testes já conversava-se em fechar contrato.

Eu particularmente fiquei muito animado com o bom desempenho de Barrichello. Meu interesse pela IZOD IndyCar Series havia descido ao nível mínimo - como eu costumava dizer, eu desligo a TV após a quinta volta. A ida de um astro da Fórmula 1 no nível de Barrichello dera uma expectativa interessante a um certame que começava a entrar em descrédito. 

Quando Nigel Mansell se transferiu para a PPG IndyCar World Series (percursora da atual categoria), se transformou em um bicho-papão. Lutou de igual para igual com os astros do certame e levou o título logo no primeiro ano. Os testes de pré-temporada indicavam que Barrichelo poderia fazer o mesmo, mas...

...as esperanças ficaram pelo caminho logo na primeira prova. Rubens fez uma participação burocrática no GP de Saint Petersburg e ali mesmo eu já perdi a expectativa que criara em torno de um ano interessante na categoria. Nem acompanhei o resto do campeonato, mas o desempenho de Rubens continuou apenas burocrático. Muito por culpa de momentos de amadorismo da equipe, muito por culpa da confessa dificuldade de Rubens se adaptar ao estilo de pilotagem da categoria.

Com o fim da temporada da categoria americana, Rubens aceitou o convite da Equipe Medley para participar das três últimas etapas da Stock-Car Brasil. Se gostar, não tenho dúvidas que ele vem para o Brasil. Rubens já não aparenta estar com aquela motivação para continuar na IndyCar e também, comercialmente falando, não faz mais sentido para ele ficar por lá. Não que Rubinho precise pensar em dinheiro. Mas, certamente ele vai decidir ficar no lugar onde estiver mais confortável em todos os sentidos. E a Stock-Car parece ser o lugar ideal para ele.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

O Reino Unido do Brasil e Portugal

Possível bandeira do Brasil dentro do "Reino Unido",
inspirada na flâmula australiana.

O processo de Independência do Canadá, da Austrália e da Nova Zelândia foi atípico. Em princípio, o Reino Unido da Grã-Bretanha outorgou ampla autonomia administrativa às colônias, que passaram a ser conhecidas como domínios. Em seguida, houve o ato de independência administrativa, em que as antigas colônias passavam a ser países independentes de facto, porém, formalmente ainda seriam dependências da coroa britânica.

E assim perdura até hoje a situação política desses países. Embora sejam nações totalmente independentes do Reino Unido, a monarca britânica ainda é o chefe de estado destes países. Na prática, as funções de chefe de estado são praticadas pela figura do Governador-Geral, um cargo que, embora em tese tenha funções meramente cerimoniais, possui grandes poderes de reserva.

O Governador Geral, cujo ocupante do cargo é empossado pela Rainha após indicação do Parlamento de cada país, geralmente se limita a referendar as ações do Primeiro-Ministro, mas nem sempre isso aconteceu. Um exemplo disso foi a Crise Constitucional Australiana de 1975. Com a oposição controlando o Senado e criando entraves sérios à condução do governo, o Primeiro-Ministro Gough Witlham solicitou ao Governador Geral John Kerr que procedesse com a dissolução do Senado e convocasse novas eleições. John Kerr, entendendo que Witlham não teria condições de contornar os vários problemas os quais seu governo atravessava, resolveu contrariar a determinação do Primeiro-Ministro. Kerr demitiu Witlham do cargo e convocou novas eleições para ambas as câmaras do Parlamento, que foram vencidas pela oposição.

Isto gerou uma grave crise na Austrália, visto que Kerr contrariou um consenso de que o Governador Geral não deveria tomar decisões isoladamente. Outrossim, uma vez que a própria Rainha Elizabeth II também é possuída dos mesmos poderes de reserva, chegou a temer-se pela independência da Austrália. Embora a Rainha Elizabeth II se mantenha neutra em relação às decisões políticas do país, ela legalmente pode demitir por conta-própria o Primeiro-Ministro Australiano a qualquer momento.

Por que esta explanação? Eu andei me questionando recentemente a respeito do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarve, instituído quando da vinda da família real para o Brasil. Qual seriam as chances desta composição política ter prosperado?

É preciso notar que em 1820, quando da época da Revolução Liberal do Porto, em que a burguesia portuguesa tomou o controle do país, aboliu o absolutismo e limitou os poderes do monarca, a estrutura do Reino já orbitava em torno do Brasil. Para os portugueses isso não era uma situação interessante nem do ponto de vista econômico nem do ponto de vista moral. Era importante para o país a manutenção do pacto colonial e do controle total de tão vasto território de ultramar.

Dom João VI até tentou retardar ao máximo a independência do Brasil. Manter D. Pedro no Brasil foi uma tentativa de manter a integridade do Reino em torno do poder real. Durante o tempo da regência de D. Pedro, o Brasil experimentou uma situação política parecida com aquela que Canadá, Austrália e Nova Zelândia possuem hoje. Embora o Brasil continuasse a ser um domínio da Coroa, na prática já era um país independente. 

O autoritarismo de D. Pedro contrastava com as ordens vindas das Cortes de Lisboa (o novo Parlamento estabelecido pela Revolução) para a recolonização do país. Para Portugal deve ter sido surreal ver o primeiro na linha sucessória de seu trono liderando uma revolta em sua principal colônia... As Cortes certamente não esperavam que D. Pedro chegasse ao extremo de proclamar a independência do Brasil, mas o Príncipe decidiu não mais tolerar as pressões de Lisboa e quem acabou perdendo foi Portugal.

Já que Portugal estimava tanto pela manutenção do seu Império (visto que foi o último país europeu a iniciar a descolonização de suas possessões na África e na Ásia) a fim de que isso pudesse lhe angariar algum status, a posse nominal do Brasil poderia ao menos servir como um afago no ego português. Seríamos independentes de facto, mas ainda estaríamos prestando honras ao nosso Rei em além-mar.

E isso ajudaria a manter vários laços - principalmente os comerciais, que era o que realmente interessava no negócio. Porém, com o tempo, Portugal acabaria sendo eclipsado pelo Brasil e a união talvez já não ficasse interessante para a contraparte lusitana do Reino. Não que D. João VI visse nisso um problema. Entendo que ele tinha forte consciência de que o futuro do Reino estava no Brasil, e por isso ele queria manter a corte aqui.

Mas é claro que aos portugueses não interessava ver Portugal transformada em satélite do Brasil dentro do Reino.  E sendo impossível uma conciliação entres as partes interessadas, o rompimento foi inevitável.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

A Vaquinha do Lollo


Os chocólotras e os oitentistas estão em polvorosa. A Nestlé anunciou que o Chocolate Lollo, um dos grandes ícones da década de 80, está de volta ao mercado.

A década de 80 foi um período interessante. Foi uma época que formou ícones que até hoje são lembrados com muitas saudades por aqueles que viveram estes tempos, seja na música, na televisão, na cultura em geral, e, no nosso caso, na gastronomia e na comunicação visual. O Lollo era até hoje lembrado de maneira positiva em redes sociais e isso influenciou na decisão de relançar o produto.

Ao trazer o Lollo de volta, a Nestlé não quis correr riscos: para agradar os saudosistas, a embalagem permanece idêntica à da década de 80, repetindo o logotipo clássico do Lollo e também trazendo a infame vaquinha amarela.


Infame? Eu acho que sim. Em primeiro lugar, os chifres denunciam que não se trata de uma vaca, mas sim de um touro. Mas tudo bem, vamos considerar que é uma vaca. Se a intenção é relacionar o produto ao leite, não faria mesmo sentido que considerássemos que fosse um touro.

Outrossim, acho interessante o semblante desta vaquinha. Ela possui um sorriso enigmático ao melhor estilo Mona Lisa. Parece que te encara com uma expressão sacana, como se estivesse com um olhar de deboche, pronta para rir da sua cara.

Apesar desta carinha bem duvidosa, a vaquinha era tratada com simpatia pelas crianças na época. Isso demonstra que nem sempre malabarismos visuais são suficientes para conquistar o coração do consumidor. A barrinha de chocolate com pernas e braços, mascote do Milkybar, substituto do Lollo no mercado, nunca conseguiu ser popular, caindo no ostracismo junto com o referido chocolate.

Agora o tourinho a vaquinha está de volta com a missão de agradar os saudosistas e conquistar uma nova geração de consumidores. Boa sorte para ela!

domingo, 23 de setembro de 2012

Melancolia Sertaneja


No Domingo Musical de hoje vamos apresentar uma seleção de músicas que enaltecem aquele que é sem dúvida o melhor lugar do mundo: o Sertão. Longe da cidade, longe da civilização, longe da maldade do homem. Lá a vida passa devagar e vemos os pequenos milagres do dia-a-dia aflorarem em nossa frente.

Tonico e Tinoco
Inhambu Xintã e o Xororó

Tonico e Tinoco
Luar do Sertão

Milionário e José Rico
Saudade da Minha Terra

Sylvio Caldas
No Rancho Fundo

Victor e Léo
Deus e Eu no Sertão

sábado, 22 de setembro de 2012

Lula na Cadeia


Os membros do Partidão, vendo que a vaca está indo para o brejo, começam a demonstrar que estão partindo para o desespero. Declarações sem nexo, porém carregadas de apelo emocional, são utilizadas à exaustão em uma tentativa de salvar a agremiação, seus aliados, e também minimizar o estrago nas eleições municipais.

O termo golpismo está sendo muito utilizado. Como explanamos no post O Vladimir Putin Tupiniquim, é difícil imaginar o porque de falar-se em golpe se não é o Governo Federal que está em julgamento. Mesmo que Lula, Dirceu e todos os mensaleiros vão mofar na prisão, Dilma continua na Presidência.

A questão é que a maneira como o Mensalão saiu do controle do PT está destruindo não o Governo Dilma (esse se destrói sozinho), mas sim o projeto de poder do PT de transformar o Brasil em uma Coréia do Norte; fazer do Brasil uma cleptocracia comandada por um politburo intocável. Que o Brasil não se engane, estamos caminhando para uma ditadura. E o risco ainda é presente!

Porém, me parece que o PT subestima seus próprios eleitores. A reação do Partidão frente às revelações de Marcos Valério tem um objetivo claro: conclamar as massas para defender o Nosso Guia. Mas aí mora um pequeno problema. Para o povão, aquele no qual o PT tenta formar sua base de massa de manobra, Marcos Valério, José Dirceu e Delúbio Soares não são ninguém. Enquanto Lula está por aí esbanjando confiança e sorrisos, o povão não vai se preocupar com o Mensalão.

E Lula realmente precisa continuar com a encenação. Caso resolva dar uma de coitado e partir para a briga frontal, Marcos Valério pode mostrar suas armas e aí a coisa pode sair ainda mais do controle. E ninguém no PT quer que Lula seja chamuscado. A maneira como o povão se identifica com Lula é a maior (e talvez a única) esperança que o PT tenha de conseguir levar adiante seu projeto de instalar uma ditadura no Brasil.

Agora, vejam que o povão realmente só consegue enxergar a figura de Lula. Não adianta o PT tentar conclamar o povão para defender José Dirceu, pois este não quer dizer nada para as grandes massas.

Lula continua tentando se manter longe do olho do furacão (pelo menos publicamente) para evitar que o problema respingue nele, porém, se o povão simplesmente não está nem aí para uma possível prisão de José Dirceu e outros, como seria a reação das massas numa eventual prisão de Lula?

Da maneira que o Nosso Guia possui uma adoração messiânica, não duvido que as massas poderiam até tentar invadir o presídio para libertá-lo. O Brasil poderia cair em uma guerra civil. Dilma poderia aproveitar a chance para dar um golpe de estado, com ela mesmo conclamando as massas contra a justiça tucana, libertando Lula da prisão e instalando definitivamente o lulismo no país. Para a nossa sorte, os militares não vão com a cara da Dilma e, sem o apoio das forças armadas, um golpe seria impossível.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

O Amor e as Reações sobre Expectativas Futuras (REF)


Nas postagens Só Se Ama Uma Vez e Quando o Amor Precisa Morrer, explicamos como uma pessoa fica marcada para toda a vida em função de um único amor. Por mais que ela venha a ter outros relacionamentos, com pessoas até mais adequadas a seu estilo de vida, ela sempre irá guardar aquele amor em seu peito.

Mas será que podemos afirmar categoricamente que é o amor que está em jogo nestas situações? Lembremos então do conceito de Reações sobre Expectativas Futuras (REF), dissertado aqui no blog em três partes: 01, 02 e 03.

As REF são tudo aquilo que você projeta em uma pessoa ou em uma situação com o objetivo de ver uma expectativa pessoal sua atendida, mesmo que se trate de algo ilusório. A REF é uma maneira de preenchermos nossos vazios interiores com alguma coisa - e, quase sempre, com qualquer coisa.

Voltemos ao exemplo de Márcia, Juliana e Flávia. No caso de Márcia, sua atração por Carlos se dava pelo fato dele ser um homem de posses, e ela via nele uma fonte de segurança financeira. Juliana, por sua vez, sempre foi uma pessoa insegura e vazia. Uma vez que Roberto era um cara que arrasava na balada e tinha uma personalidade forte e presente, Juliana via nele uma pessoa que poderia preencher esse vazio que ela sentia dentro de si. Já Flávia sempre esteve perto de Luiz em função deles comungarem de valores, idéias, princípios e objetivos de vida comum.

Márcia e Juliana, como podemos notar, não amavam Carlos e Roberto verdadeiramente. Se tratava somente de uma REF. Ambas viam eles como pessoas destinadas a completarem seus vazios, fossem eles materiais ou emocionais.

Já Flávia é um caso mais interessante. Ela não buscava em Luiz uma pessoa que suprisse alguma expectativa pessoal sua. Ela via em Luiz um companheiro, alguém para estar ao seu lado por toda a sua vida. O sentimento que ela sentia por ele não estava vinculada a uma REF. Podemos dizer com muita segurança que aqui se trata de um amor verdadeiro. Tanto é verdade que ela faz questão de se manter próxima a ele, mas sem interferir no relacionamento atual dele. Ela não exige nada dele, somente quer sua presença.

Lógico que Flávia ainda sonha com o dia em que Luiz irá terminar este namoro. Ela sonha em olhar nos seus olhos e dizer que o aceita de volta e que nunca deixou de amá-lo. Se um dia isso vai acontecer, eu não sei, mas ela aguarda pacientemente por esse dia.

Importante notar que, embora a REF esteja vinculada a um sentimento ilusório, ela pode ser tão forte quanto um amor verdadeiro. Uma pessoa envolvida em uma REF não consegue distinguir o que é amor e o que é ilusão. Para Márcia e Juliana, elas amam verdadeiramente e ponto final. E, assim, seguem suas vidas de viúvas de homens vivos.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Em Busca da Linha Auxiliar - Parte 05

Hoje continuamos nossa busca pelos vestígios da querida Linha Auxiliar!

As fotos a seguir foram retiradas do Google Maps, do Google Street View e do Panoramio. As fotos do Panoramio estão devidamente creditadas aos seus autores no corpo da imagem.

Este mapa, retirado do site Wikimapia, mostra de maneira bem clara o
"caracol" da Linha Auxiliar em contraposição à RJ-125. O ponto extremo
do "caracol" à direita é o famoso viaduto Paulo de Frontin.

O imponente Viaduto Paulo de Frontin, belíssima construção em ferro.

Consta que ainda existem trilhos sobre o viaduto.

Um flagra de quando os trens ainda circulavam ali.

Esta foto está marcada em uma parte do leito logo após o viaduto. Caso
esteja correta (as marcações do Panoramio no Google Maps nem sempre
são precisas), não há vestígios aparentes de trilhos por ali.

Trecho final da subida da serra. No canto superior esquerdo, nota-se
a Estação de Governador Portela.

Estação de Governador Portela. No sentido Rio de Janeiro, o leito virou
uma estrada de rodagem. Não está claro se os trilhos foram enterrados ou
arrancados.
Entre Governador Portela e Miguel Pereira, a linha é mantida operacional graças ao esforço da Associação Fluminense de Preservação Ferroviária (AFPF), que opera autos de linha com finalidades turísticas no trecho.

Após o pátio de Governador Portela, voltamos com as fotos no
Google Street View. É possível notar os trilhos semi-enterrados à esquerda.

O leito margeando a Avenida Marechal Rondon.

Passagem de nível entre Governador Portela e Miguel Pereira.

Continua na Parte 06.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Eros e Psiquê no Morro


O premiado filme Orfeu Negro, baseado em uma peça de Vinícius de Morais, foi uma narração do mito grego de Orfeu e Eurídice tendo como cenário uma favela carioca. Então eu pensei: e se ambientássemos a história de Eros e Psiquê em uma favela, qual seria o resultado?

Eros e Psiquê no Morro

Benedita da Cunha, conhecida como Afrodite, era uma das mulheres mais bonitas (senão a mais bonita) da Favela do Morrão Vermelho. Já estava com 35 anos, mas colocava no sapato muita ninfetinha. Após rodar na mão de quase toda a favela, Afrodite atualmente mantinha um relacionamento estável com Avelino Praxedes, um rapaz 10 anos mais jovem que ela.

Avelino nunca saiu dos trilhos com Afrodite. E era bom que não saísse mesmo, pois a mulher era extremamente ciumenta e orgulhosa feito uma égua. Tratava Avelino como um troféu e fazia marcação cerrada em cima dele.

Até que um dia chegou aos ouvidos de Afrodite que, durante uma bebedeira, Avelino ficou horas e horas dizendo a quem quisesse ouvir o quanto ele admirava a jovem Psiquê. Psiquê, 17 anos, era conhecida como a nova princesa dos bailes funk da comunidade. Na pista, chamava a atenção e a cobiça de todos. Dançava até o chão durante toda a noite e deixava muitas habitués dos bailes desconcertadas com seu gingado.

Afrodite ficou furiosa e resolveu dar um fim em Psiquê. Chamou então seu filho Eros, de 20 anos. Sim, ela fora mãe aos 15 anos de idade. Eros já era um dos principais nomes do tráfico na favela e tinha a fama de ser um matador de primeira linha. Sabia muito pouco sobre Psiquê, e não fez nenhuma objeção ao pedido da mãe para exterminar a garota.

De arma em punho, Eros foi atrás de Psiquê. Porém, quando a viu, Eros se desmanchou. Foi amor à primeira vista. Guardou a arma e resolveu saber mais sobre a garota. Acabou se aproximando dela e os dois se apaixonaram. Porém, a partir deste dia, Eros passou a evitar a mãe. Não queria que ela soubesse de seu romance com Psiquê; também, não teria como justificar o fato de não ter atendido seu pedido para matar a moça.

O romance seguiu tórrido até um dia em que os dois brigaram feio. Psiquê, abatida, resolveu ir afogar as mágoas na pista do baile funk. Bebeu além da conta e se atracou com Naércio Cobra Roxa dentro do salão. O clima entre os dois esquentou, foram para fora do baile, e começaram a fazer sexo em um beco aparentemente vazio. Foi quando Eros apareceu do nada e deu de cara com a cena. Psiquê se assustou e disse, ainda embriagada:

- Não é nada disso que você está pensando! Deixa eu explicar!

Ao que Eros respondeu:

- O amor não sobrevive sem confiança, Psiquê!

Eros saiu dali, deixando Psiquê chorando no chão e Naércio Cobra Roxa com o instrumento na mão. Eros desapareceu, e por mais que Psiquê, arrependida, o procurasse, em nenhum lugar conseguia achá-lo. Procurou-o por dias até que resolveu pedir ajuda a Afrodite. Acabou tomando conhecimento da birra que a sogra mantinha a seu respeito, mas foi atrás dela assim mesmo.

- Quer que eu te ajude a achar Eros, menina? - perguntou Afrodite.

- Sim! - disse Psiquê.

- Então procure por Hades e peça que ele me empreste R$ 10.000,00. Estou há semanas pedindo isso a ele, mas ele não me atende. Quem sabe ele te atenda, uma vez que você é uma ninfetinha dengosa e candidata a nova rainha dos bailes da comunidade? Me ajude a conseguir esse dinheiro que eu te digo como encontrar Eros.

Psiquê, sem pensar duas vezes, saiu do barraco de Afrodite e foi atrás de Aparício Enardes, o Hades - chefe do tráfico na comunidade. Mal ela sabia que estava indo para uma armadilha. Afrodite, amicíssima de Hades, havia convencido o chefão a executá-la após ela chegar ao covil dos traficantes no alto do morro.

Ao chegar ao inferno do tráfico, Psiquê foi amarrada, amordaçada e colocada sob os auspícios do tribunal do tráfico. Porém, Eros, que estava escondido no alto do morro, ao saber o que estava acontecendo foi atrás da amada. Entrou no barraco de Hades e disse ao chefão:

- Hades, solte ela!

- O que você está fazendo, Eros? Você sabe que não pode entrar aqui desse jeito. Estamos no meio de um julgamento.

- Hades, lembre daquela vez que eu te salvei. Você disse que me devia uma, lembra? Então solte Psiquê, por favor.

Eros salvara a vida de Hades em uma incursão da polícia. Hades realmente dissera a Eros que ficara devendo uma a ele. Balançou a cabeça e ordenou aos comparsas presentes que soltassem a garota. Psiquê, com os olhos brilhando, foi libertada. Correu para os braços de Eros e começou a chorar, dizendo:

- Meu amor, me perdoe!

Então Hades disse:

- Paguei o que te devia, Eros. Agora que estamos quites...

Hades sacou seu revólver e com dois tiros certeiros acertou Eros e Psiquê, que caíram mortos ali mesmo.

-  ...essa é por ter invadido meu tribunal sem ter sido convidado.

Uns podem dizer que Eros e Psiquê morreram. Outros podem dizer que, com seus corpos abraçados e ensanguentados, galgaram juntos o caminho da eternidade.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

O Vladimir Putin Tupiniquim

Qualquer coincidência é mera semelhança.

Ainda na esteira do desespero da esquerda pelo tombo que levaram em função das declarações de Marcos Valério, uma coisa interessante vêm à tona: os esquerdistas acusam a Revista Veja de ser golpista e atentar contra a integridade nacional, conquistas sociais, e blá blá blá.

Ninguém no núcleo político do Mensalão está (oficialmente) envolvido com o Governo Federal nos dias de hoje. Em nenhum momento Dilma Rousseff foi ligada ao esquema. O que se pretende com o Julgamento do Mensalão é punir individuais que praticaram determinados crimes; em nenhum momento colocou-se o Governo Federal como réu.

Então porque dar a impressão de que o Julgamento do Mensalão é uma tentativa de golpe de estado? Claro que existe aquela percepção básica de que, aos olhos dos petistas, sua agremiação e o Governo Federal são uma coisa só. Mexeu com os petistas, mexeu o Governo. Mas a coisa vai mais além.

Dilma continua apagada como semáforo queimado, e, queiram ou não queiram, Lula ainda é o governante da nação. É uma espécie de Vladimir Putin tupiniquim. Saiu do trono somente de jure. De facto, ainda é ele quem manda. Portanto, atacar Lula é atacar o próprio presidente e as conquistas da revolução, e, por isso, a situação deve sim ser encarada como uma tentativa de golpe de estado.

Trata-se de uma tentativa clara de manobrar a opinião dos mais humildes, talvez até nutrindo uma vã esperança de que uma possível pressão popular pode salvar os mensaleiros da cadeia. Porém, com isso eu percebo que o PT não está mais fazendo questão de esconder que Dilma é um Dmitri Medvedev tupiniquim. Para o povo, tem que ficar claro que este ataque a Lula é um ataque aos interesses nacionais. Mas, afinal, quem está no Planalto, é ele ou Dilma?

Eu digo que na última eleição, apesar de olhar Dilma com desconfiança, eu nutria a esperança de que a então mulher-forte do Governo Lula iria se desvencilhar da sombra de seu antecessor e faria um governo com sua marca, sem apelar a populismo barato.

Não é preciso dizer que me decepcionei. Dilma se tornou uma sombra de Lula e parece estar conformada em ficar esquentando a cadeira do Planalto para um possível retorno do Nosso Guia em 2014.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Santa Esquerda


O fim de semana foi frenético para a política brasileira. A bombástica reportagem da Veja revelando os segredos de Marcos Valério mexeu com todo o país. Traído e abandonado pelo Partidão, Valério certamente conseguiu o que queria com a reportagem: ninguém poderá acusá-lo de nada, pois oficialmente o que foi dito na revista não passou de diz-que-me-diz. Porém, a partir de agora, os Ministros do STF estarão pressionados, mas também com a consciência mais leve para punir o núcleo político do Mensalão com rigor máximo.

Entretanto, a reportagem teve outro desdobramento. Os esquerdistas fanáticos, ainda baqueados com o golpe que sofreram, partiram para o ataque tentando defender o indefensável. Observando o que se passa, eu fico me perguntando: o que leva certas pessoas a acharem que levantar a bandeira da esquerda é um atestado inquestionável de honestidade e ética?

Em primeiro lugar, vamos tentar entender o que é esquerda e direita. Essas definições vem da época da Revolução Francesa, batizando os grupos que se sentavam à esquerda, direita e centro do salão de reuniões da Assembléia. Hoje em dia podemos entender a situação da seguinte maneira:

  • Esquerda: Grupos que adotam um discurso populista e piegas, muitas vezes nem se preocupando com a falta de integridade de seus argumentos;
  • Direita: Grupos que adotam um discurso realista e voltado para a praticidade;
  • Centro: Grupos que adotam um meio termo entre a esquerda e a direita.

O PT perfaz o típico exemplo de agremiação de esquerda. No Partidão mente-se descaradamente, atropela-se o bom senso e tenta-se aplicar lavagem cerebral na massa humilde do eleitorado o tempo todo. As reações à denúncia da Veja exprimem isso. Os fãs dos mensaleiros estão acusando a revista de ser golpista e tentar derrubar as conquistas sociais que o povo vêm obtendo. Pois é, parece até uma frase tirada de algum discurso de Hugo Chávez. Claro que sim, pois a ideologia é a mesma.

Porém, o problema de muitas vezes nem se preocupar com a integridade de seus argumentos gera problemas graves. O infame bordão que Lula repetia à exaustão quando era presidente - nunca antes na história desse país - é um exemplo de como o discurso dessa gente não pode ser levado a sério. Por esta definição de esquerda já entendemos que os políticos esquerdistas não são confiáveis.

Como eu disse anteriormente, a tentativa dos esquerdistas de defender o indefensável, ainda querendo provar que o Mensalão não existiu, é um tapa na cara da inteligência do brasileiro. Não podemos mais permitir que o Partidão e seus aliados pensem que o Governo Federal é seu playground.

Aliás, políticos de esquerda não são mesmo confiáveis? Também não podemos generalizar. Lembro aqui de Celso Daniel, assassinado em um momento em que tentava se rebelar contra a corruptocracia reinante no PT. A citada agremiação política tenta esquecer que Celso Daniel existiu, mas ainda tem esperanças de ver José Dirceu inocentado e elevado à categoria de herói nacional. Dá pra entender?

domingo, 16 de setembro de 2012

Apocalipse Petista


Finalmente aconteceu o que todos esperavam, e o que a cúpula do Partidão mais temia: Marcos Valério está abrindo a boca. A bombástica reportagem da Revista Veja esta semana traz depoimentos colhidos com pessoas próximas ao publicitário, denunciando o quanto Valério sabe.

O advogado dele afirmou que Marcos Valério não deu nenhum entrevista à Veja e não confirma as informações divulgadas. O PT logo entrou em festa, afirmando que a matéria e falsa e caluniadora. Mas, ao mesmo tempo, o advogado do publicitário informou que não pretende tomar nenhuma providência em relação à matéria.

Para bom entendedor, meia palavra basta. Marcos Valério sabe que corre risco de ser assassinado por tudo o que sabe. Figurões do Partidão como Dirceu e Genoíno são soldados fiéis à corruptocracia reinante em Brasília e, por isso, são capazes de aguentar a prisão calados em prol de uma causa nobre: preservar o nome de Lula e a imagem dele junto ao povão.

Mas Marcos Valério não é filiado ao PT, entrou de gaiato na história, foi abandonado pelo Partidão e transformado em bode expiatório. Como não existem garantias de que ele vai ficar de boca fechada, sua vida vale muito pouco, e ele sabe disso. Esta reportagem da Veja serviu como um recado de Valério para o PT. O problema é que o PT também não pode fazer mais nada por Valério, já que o julgamento do Mensalão no STF fugiu ao controle desta agremiação acima de qualquer suspeita.

O que será de Valério? Não sei. O que será de Lula, agora que está claro que ele é o Comandante-em-Chefe do Mensalão? Não sei. Porém, tudo isso terá uma boa consequência a curto prazo: os ministros do STF poderão julgar o núcleo político do Mensalão sem pesos na consciência.

P.S.: O Domingo Musical volta semana que vem.

sábado, 15 de setembro de 2012

A Religião Petista

Ave.
Marta Suplicy andava meio sumida. Ela havia ficado de birra com a alta cúpula do Partidão após ter sido preterida na indicação para a candidatura do PT para a Prefeitura de São Paulo, que acabou ficando com Fernando Haddad. Com a candidatura de Haddad se mostrando um fiasco, e, com o PT considerando as eleições municipais da Cidade de São Paulo como cruciais para tentar-se tomar o controle do Governo do Estado, a alta cúpula da agremiação resolveu partir para o tudo ou nada.

Não que a musa do relaxa e goza tenha um alto índice de popularidade entre os paulistanos. Mas, pelo que parece, o PT decidiu apelar para todas as armas que possui. Se nem Maluf e Lula conseguiram alavancar a candidatura de Haddad, não sei como Marta o faria. Mas, o fato é que ela resolveu ajudar os colegas.

Mas não sem uma contrapartida. Para apoiar Haddad, Marta ganhou de presente o Ministério da Cultura. Feliz com o mimo recebido, Marta recuperou sua alegria e novamente soltou uma de suas pérolas: chamou Lula de Deus.

E até que ela não está errada. O PT realmente é uma religião - de fanáticos, diga-se de passagem. Só isso explica a maneira apaixonada e parcial como seus seguidores fazem vista grossa ao mar de lama que o Partidão instalou em Brasília, insistindo em fazer alarde de supostas conquistas da agremiação em detrimento de tudo o que eles tem feito em sua cruzada para minar o sistema democrático vigente no Brasil.

O fanatismo é tão cego que, embora Marta tente negar o óbvio - que aceitou ajudar Haddad em troca de virar Ministra, os seguidores do Partidão se negam a aceitar que o Governo Federal virou moeda de troca eleitoral da agremiação.

Mas o céu do PT vai precisar de espaço para mais anjos. O PMDB já acena a exigência de colocar no Ministério da Educação seu atual candidato a prefeito, Gabriel Chalita, em troca de apoio a Haddad caso o petista vá para o segundo turno. Como dito, o PT está apostando todas as suas fichas nesta eleição e certamente o divino Lula exigirá que a sua Profeta do Palácio Alvorada faça mais este milagre.

Pelo menos, com o STF continuando a julgar os mensaleiros com dureza, não veremos mais a sacolinha circulando pela Igreja do PT...

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Quando o Amor Precisa Morrer


Como dissertamos ontem na postagem Só Se Ama Uma Vez, é interessante notar que as pessoas, em suas vidas inteiras, amam de verdade uma única vez. Conforme exposto, Márcia, Juliana e Flávia continuam até hoje amando homens que já não as querem - e que talvez nunca as quiseram de verdade.

E quando existe um amor verdadeiro, recíproco, e o relacionamento é interrompido de maneira brusca e alheia à vontade dos indivíduos? Tomo como exemplo uma grande amiga minha que, conforme suas próprias palavras, conheceu o homem o qual ela tanto havia pedido em suas orações. Eles viveram um conto de fadas e qualquer um que os olhasse diria que com certeza se tratava de um caso de almas gêmeas que se encontraram. Ambos tinham acabado de ir morar juntos, estavam com a data do casamento marcada, quando ele foi acometido de grave enfermidade e terminou por falecer.

Não posso aqui tentar descobrir o que será do futuro dela, mas é certo que ela continua amando-o demais e nunca irá esquecê-lo, independente das circunstâncias que vierem. 

Posso dar como outro exemplo uma conhecida que, em uma situação semelhante, viu seu grande amor falecer. Ela se casou com outro, teve filhos, mas nunca esqueceu o homem que balançou seu coração como nenhum outro jamais o fez.

Em casos como esses, eu até entenderia (e inclusive acharia um gesto nobre) se a pessoa guardasse luto para o resto da vida. Afinal, ela perdeu seu grande amor - um amor que só foi grande por ser correspondido por ambas as partes, fique claro.

Digo isso pois em grande parte dos casais que vemos por aí, não existe uma relação em que o amor é correspondido por ambas as partes. Às vezes somente um dos dois ama de verdade; às vezes nenhum dos dois ama de verdade.

No caso de Márcia, Juliana e Flávia, mesmo com as três não estando mais juntas a Carlos, Roberto e Luiz, continuam alimentando um amor que não é correspondido. O que é algo triste, ao meu ver. Elas tem o direito de vivenciar um amor verdadeiro, recíproco, em que haja um sentimento real entre ambas as partes. Porém, continuam a viver como viúvas de homens vivos. Não que elas necessariamente queiram isso - embora às vezes, por mais incrível que possa parecer, esse amor unilateral é tão forte que elas se contentam em amar sozinhas. Eu entendo que este sentimento incompleto deveria morrer para que um amor verdadeiro pudesse nascer. Porém, ele não morre.

Falando por mim, eu digo que já tive algumas paixões. Paixões são coisas que vem e acabam indo, mas o amor é um sentimento diferente. Nunca tive a oportunidade de vivenciar um amor, muito menos um amor verdadeiro, em que houvesse uma reciprocidade de correspondência de um sentimento real. E digo que, embora um dia eu possa até vir a ter um relacionamento duradouro, talvez eu nunca venha a vivenciar um amor de verdade. 

Visto que 90% das pessoas passam a vida inteira presas a amores estabelecidos entre os 15 e 25 anos de idade, possíveis candidatas ao posto até podem querer ficar comigo, eu posso até amá-las de verdade, mas elas nunca irão me amar pois já trazem em seu âmago estes antigos amores que continuam marcados em suas almas. Aceitarão minha companhia, mas ficarão pelos cantos chorando escondidas pela lembrança de seus amados.

Este é o fiel retrato da maioria absoluta dos casais.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Só Se Ama Uma Vez


O amor, e consequentemente a maneira como as pessoas lidam com ele, é um tópico de extrema relevância nas relações humanas. Por amor se move montanhas, e por amor montanhas desabam em cima de você.

Inclusive, costumo ver que o amor tende a ser um sentimento injusto. Tenho percebido que a maioria das pessoas possui em seu íntimo a lembrança de grande amor - que, na maioria das vezes, acabou por não vingar, porém, por mais que a pessoa tente se relacionar com outras, o fantasma daquele antigo amor sempre estará presente.

Cito aqui três casos reais que ilustram bem o que eu digo. Os nomes foram trocados para preservar a identidade dos envolvidos:

1) Márcia viveu vários anos casada com Carlos, e os dois se separaram em função do relacionamento ter se desgastado, porém, ela nunca o esqueceu. Márcia vive atrás de outros homens, tentando forçar a si mesma a se apaixonar por outro e esquecer Carlos. Ela até consegue engatar alguns relacionamentos, mas todos duram pouco tempo, em função da própria Márcia não conseguir esquecer Carlos de maneira efetiva. Ela acaba ficando sempre sozinha, passando seus dias a lembrar dele.

2) Juliana teve um relacionamento com Roberto, que, embora curto, foi marcante e inesquecível para ela. Ambos deixaram de se relacionar intimamente mas Juliana continuou amando ele. Embora Roberto continuasse vivendo em um estilo pego todas, Juliana tolerava o comportamento dele pois tinha esperança de que um dia ele seria só seu. Até que um belo dia Roberto se mudou para longe, arrumou uma namorada firme em seu novo lar, e Juliana ficou a ver navios. Nunca conseguiu se interessar novamente por outro homem, amando Roberto até hoje.

3) Flávia teve um relacionamento cheio de idas e vindas com Luiz. Ela não era sua namorada, mas somente sua ficante principal. Flávia não se incomodava com a situação, pois sentia que, no final das contas, ela era a pessoa de quem Luiz gostava de verdade. Isso durou até o dia em que Luiz sumiu de sua frente e, quando reapareceu, estava namorando sério com outra mulher. Flávia ficou chocada, mas não conseguiu esquecer Luiz. Para não perder o contato com seu amado, virou grande amiga da nova namorada dele - Flávia aceita o novo relacionamento de Luiz e não tenta interferir, somente faz isso para poder ficar perto dele.

Embora Márcia, Juliana e Flávia continuem vivendo suas vidas normalmente, só Deus é testemunha das lágrimas que rolam em seus travesseiros durante suas noites solitárias. Estes são casos explícitos de como um relacionamento marca profundamente uma pessoa - tenha ele sido longo, como no caso de Márcia, ou curto, como no caso de Juliana. Embora as três possam vir a ter outros relacionamentos, dificilmente esquecerão seus antigos amores. Ao se deitarem com seus eventuais novos parceiros, certamente verão as faces de Carlos, Roberto e Luiz estampadas em seus rostos - e novamente irão chorar por dentro.

Será mesmo que a gente só consegue amar de verdade uma única vez? Será que muitas pessoas que hoje vivem um relacionamento estável não passam, no fundo, de pessoas que vivem a alimentar uma frustração emocional, estando junto a uma determinada pessoa mas continuando a amar outra em seu íntimo?

São situações realmente decepcionantes, pois, ao meu ver, o amor não deveria ser razão para provocar tristeza em ninguém. Porém, situações como essas são extremamente comuns. Por que isso acontece? Não faço a menor idéia. Definitivamente, o amor tem razões que a razão desconhece.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

A Quem Interessa uma Economia Liberal?


Nas postagens A Mão Invisível de Adam Smith e O Cartel e a Economia debatemos a respeito de como a economia, sem que haja uma regulação clara do mercado, pode ser danosa àqueles que produzem e geram riquezas. Claro que esta visão não é compartilhada pelo liberalismo econômico vigente que segue a cartilha de Adam Smith. Como bem vimos, interromper o fluxo natural do ciclo econômico pode ser inclusive enquadrado como crime federal.

Porém, se a economia liberalizada é tão danosa, por que ela hoje é tão aceita e tão defendida? Certamente porque alguém ganha muito com ela. Mas quem, afinal, são os sortudos felizardos que ganham tanto?

Voltemos ao exemplo das 10 granjas e dos 10 restaurantes citados nas postagens anteriores. Como já vimos, a desregulamentação da economia se mostrou desastrosa para as granjas em um momento em que o cenário entrou em desequilíbrio em função da falência de três dos restaurantes. 

Pode-se falar que os restaurantes ganharam com isso, pois o incremento da concorrência baixou os preços. Nada mais enganoso, pois o preço pode ter caído, mas o cenário tumultuado certamente influiu na qualidade do produto a ser entregue. Com uma margem de lucro reduzida, as granjas certamente tiveram que reduzir a qualidade da ração dos porcos e ignorar procedimentos veterinários e sanitários padrões. Ou seja, não ganham os restaurantes, e consequentemente nem os clientes dos restaurantes.

Não ganham os trabalhadores, pois as granjas tiveram que demitir. Também não ganha o poder público, pois impostos deixaram de ser recolhidos.

Num exemplo microeconômico como este não teremos a figura do especulador. Mas, tentemos imaginar um investidor que possua 40% das ações de uma das granjas. Ao verificar que três dos restaurantes estão para falir, o investidor vende suas ações na granja e compra ações em um dos restaurantes remanescentes, imaginando que a provável queda no preço do porco poderá gerar bons lucros. Afinal, os restaurantes não precisam repassar ao consumidor final a queda no preço do porco, com esta diferença ficando como lucro para o bolso dos sócios (e do especulador, no caso).

Como dissemos, num contexto microeconômico isso não existe, mas é justamente o que ocorre em um contexto macroeconômico. A economia real serve como bucha de canhão para satisfazer os especuladores - que, mesmo sem contribuir de forma efetiva para a geração de riquezas, tem todas as leis regidas especialmente para defender seus direitos.

Voltando ao exemplo das granjas e dos restaurantes, a cartelização evitaria a queda excessiva nos preços do porco, fazendo com que uma operação especulativa como a citada se tornasse pouco atraente. Mas não é isso que a economia liberal deseja, não é verdade? 

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Em Busca da Linha Auxiliar - Parte 04

E continuamos nossa aventura buscando os vestígios de uma centenária ferrovia perdida nas serras do Estado do Rio de Janeiro!

As fotos a seguir foram retiradas do Google Maps, do Google Street View e do Panoramio. As fotos do Panoramio estão devidamente creditadas aos seus autores no corpo da imagem.

Uma esquecida e enferrujada Cruz de Santo André anuncia...

...uma passagem de nível onde há muito tempo nada passa.

E os trilhos semi-enterrados seguem o seu caminho.

Neste ponto, a Ferrovia se separa da Rodovia, entrando por um
pontilhão de ferro que já teve seus trilhos arrancados. Neste ponto
também termina a cobertura do Google Street View.

Foto do Pontilhão retirada do Panoramio.

Após o Pontilhão, a Ferrovia vai margeando o Rio Santana...

...até chegar na pequena vila de Arcárdia, onde sua pequena Estação
ainda se mantem em pé esperando que os trens voltem a passar por
seus trilhos semi-enterrados.
Neste ponto, a Ferrovia voltou a cruzar em nível a RJ-125. É interessante salientar que neste ponto a rodovia sobe a serra quase em linha reta, encontrando lá no alto a vila de Governador Portela. Já a Ferrovia precisará fazer um grande "caracol" para subir a serra e chegar ao mesmo lugar.

Pontilhão após a Estação de Arcádia.

Esquema do "caracol" da Linha Auxiliar. Enquanto a Rodovia sobe direto para
Governador Portela, a Ferrovia vai até o Viaduto Paulo de Frontin, situado
no mesmo eixo vertical de Miguel Pereira, para depois retornar para
Governador Portela e seguir para Miguel Pereira. Esta "volta" é necessária para
suavizar  a subida da serra, pois o trem não possui a aderência necessária para
subir rampas muito íngremes.

Continua na Parte 05.
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