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sábado, 31 de março de 2012

Estrada de Ferro Copacabana

Trem de testes no elevado da Praça Onze.

Hoje vamos falar sobre um capítulo pouco conhecido na história do transporte urbano na cidade do Rio de Janeiro: A Estrada de Ferro Copacabana.

Em 1912, Álvaro Medeiros, superintendente de transportes públicos do então Distrito Federal, vendo a rápida expansão imobiliária na área da atual Zona Sul, começou a vislumbrar um projeto de transporte para o bairro que fosse mais eficiente que os bondes, lentos e com capacidade limitada. Resolveu então construir uma estrada de ferro que ligasse a Estação Central do Brasil à Copacabana.

Pelo projeto, a linha sairia da Central e passaria, através de um elevado, pela Praça Onze e pelo Catumbi. Através de um túnel que seria perfurado no mesmo local onde é hoje o Túnel Santa Bárbara, a ferrovia alcançaria Laranjeiras e seguiria por Botafogo, Humaitá, Lagoa, passaria por outro túnel no Cantagalo, e daí iria até o Lido. Era um projeto ousado, mas necessário para o futuro da cidade, ponderava Álvaro.

Com o projeto aprovado, as obras começaram no início de 1913. A área de domínio foi marcada, e algumas desapropriações chegaram a ser feitas em Botafogo. Mas, logo de cara, verificou-se que os custos seriam muito maiores do que o planejado a princípio, e o Governo do Distrito Federal mandou suspender as obras.

Inconformado, Álvaro foi procurar o Governo Federal, e, depois de muita insistência, conseguiu com que a Estrada de Ferro Central do Brasil, companhia ferroviária estatal que dava seu nome à estação de trem homônima, assumisse o projeto. A linha passou a ser denominada Ramal de Copacabana e as obras recomeçaram. O trecho de via elevada entre a Estação Central do Brasil e a Praça Onze foi construído (foto do topo da postagem), mas, com o início da Primeira Guerra Mundial, houve um baque na economia brasileira e, a Central do Brasil, que na verdade estava muito pouco interessada no ramal, aproveitou a desculpa para suspender as obras por tempo indeterminado.

Consta que até 1916 o trecho já construído foi utilizado para transbordo de cargas por gravidade: Um caminhão parava embaixo do pontilhão, e funcionários da ferrovia jogavam as cargas lá de cima. Após um descarregador despencar da via elevada e entrar em óbito, a operação foi abandonada.

Em 1918, a guerra acabou e a Central, que estava muito mais interessada na expansão de suas linhas no interior de Minas Gerais, não retomou as obras. A explosão imobiliária em Copacabana começou a avançar em cima da faixa projetada de domínio da ferrovia (onde nem trilhos haviam sido implantados ainda) e, em 1921, tanto a Central quando o Governo do Distrito Federal (cujo titular da pasta de transportes já não era mais Álvaro Medeiros) resolveram extinguir o projeto. Os pontilhões na Praça Onze foram desmontados pela Central e levados para Minas Gerais, onde foram reaproveitados nas linhas que estavam sendo construídas por lá. Consta que estão até hoje em algum lugar perto de Montes Claros (MG), ainda ostentando a inscrição E. F. Copacabana.

As áreas destinadas às Estações que seriam erguidas em Copacabana se transformaram nas atuais Praças do Lido e Serdezelo Correa.

Peça publicitária da época.



P.S.: Você já deve ter notado que esta se trata de uma brincadeira de Primeiro de Abril. Acredite, nunca existiu uma E. F. Copacabana.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Érika Martins no Pensando Adiante



No Domingo Musical dessa semana, lembramos de alguns dos sucessos da extinta banda Penélope, liderada pela talentosa Érika Martins.

Após a publicação, verifiquei que o post teve um número absurdo de acessos. Em poucas horas, ele já era o segundo post mais acessado da história do Blog. A maioria destes acessos vinha do Facebook, mas eu estranhava que nenhum dos meus contatos havia compartilhado o link. Fiquei tentando adivinhar quem havia divulgado o post.

Pesquisando aqui e ali, tive uma enorme surpresa: quem divulgou o post no Facebook e outras redes sociais foi a própria Érika. Fiquei super feliz do nosso humilde e despretensioso trabalho ter sido prestigiado por uma artista a quem eu tanto admiro.

Desejamos a ela muito sucesso em sua jornada profissional!

P.S.: Lembrei do clipe da música A Mais Pedida, dos Raimundos. Rodolfo & Cia tentam várias vezes, sem sucesso, convencer uma rádio a tocar suas músicas. Então a Érika, se valendo de muito jeitinho, vai lá dar uma força a seus amigos e consegue reverter a situação:

quinta-feira, 29 de março de 2012

Lula e FHC


O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve esta semana realizando exames para atestar o grau de sua resposta ao tratamento que fez contra um tumor na laringe, ao qual foi diagnosticado que o mesmo regrediu e desapareceu. Enquanto esteve hospitalizado, Lula recebeu a visita de ninguém mais ninguém menos que um aparente desafeto, o também ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Para alguns (inclusive para mim), a cena acima pode soar surreal. Afinal, pela ótica dos beneméritos do Partidão, trata-se do encontro do Salvador da Pátria com o Homem Que Quase Destruiu a Nação. Lula, quando ocupando a presidência, enchia a boca para recitar o quase decorado bordão nunca antes na história deste país, destilando claras alfinetadas em seu antecessor.

Mas a coisa não é por aí. Lula e Fernando Henrique foram grandes parceiros na época das Diretas Já, militando juntos e combatendo por causas comuns. Com o tempo, os dois assumiram vertentes diferentes, passaram a ocupar posições opostas na política, mas certamente não se tornaram inimigos ferrenhos, como a mídia fez parecer.

Tanto que não creio que o infame bordão nunca antes na história deste país seja invenção de Lula. Acredito que deva ser obra de algum marqueteiro do PT com a intenção de manchar o legado de Fernando Henrique. Afinal, se o Governo Lula obteve avanços significativos, foi porque Fernando Henrique construiu as bases para que isso ocorresse, mas o Partidão, com suas técnicas norte-coreanas de aplicação de lavagem cerebral na população, jamais iria admitir isso.

Da mesma maneira que o Governo Collor também teve sua parcela de crédito na recuperação da economia brasileira. A mídia massacra Collor e hoje ele só é lembrado pelos escândalos e pelo esquema PC Farias, porém, suas medidas austeras, embora impopulares, foram cruciais para que o Brasil superasse a crise que tomou conta da nação durante o Governo Sarney. Se hoje temos uma economia estável, devemos agradecer a Collor e a Fernando Henrique.

Por isso o nunca antes na história deste país soa demasiadamente arrogante. Mas, no fundo, Lula reconhece isso e recebe FHC como um bom amigo, alguém que, assim como ele, muito fez por esta nação.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Telecurso de Artes Plásticas - Aula 02


Fique hoje com a segunda aula do curso de Artes Plásticas. Aproveite!



No texto visual expressamos idéias por meio das imagens. Você verá que, quanto mais se sabe sobre o artista e o seu tempo, mais o texto visual tem a nos dizer.

terça-feira, 27 de março de 2012

A Menina e o Catavento



Aqui onde moro fica exposta em um destes relógios de praça a imagem acima, junto ao logotipo de um atuante Banco da região. É uma imagem que muito me chama a atenção, pois ela consegue passar de maneira simples o conceito de "futuro": 
  1. A menina na foto representa o adulto de amanhã; a criança de hoje representa o "investimento" humano para as próximas gerações.
  2. O catavento representa algo que está em movimento, indo em frente.
O Banco deseja passar ao observante da peça publicitária a noção de que poupar dinheiro é uma maneira de começar hoje a preparar o futuro; o futuro que pertencerá àqueles que hoje são apenas crianças. Ou, se analisarmos de outra maneira, o Banco também pode passar a impressão de ser uma empresa que no presente está preparando o futuro daqueles que hoje são a esperança de uma próxima geração.

Certamente uma mensagem muito bonita - porém, acredito que até um pouco piegas, pois, fazendo um pequeno teste, vi que esta imagem da menina e do catavento se aplica bem a virtualmente qualquer empresa. Qual instituição não quer, nos dias de hoje, passar a imagem de uma empresa voltada para a construção de um futuro para as próximas gerações?









Faltou à peça publicitária algo que relacionasse-a indelevelmente a este Banco. Vendo nos exemplos acima, até um banco concorrente pode obter uma mensagem com o mesmo efeito caso faça uma propaganda semelhante. Publicidade é saber atingir as pessoas - e isso esta propaganda conseguiu. Porém, faltou identidade para a peça - tanto que qualquer um pode usar a mesma foto e obter os mesmos resultados.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Limbo Sobre Quatro Rodas

Salvou o domingo.

Este fim de semana foi muito agitado em relação ao desempenho de pilotos brasileiros no esporte a motor. Começamos com o Grande Prêmio de Saint Petersburg da IZOD IndyCar Series.

Hélio Castro Neves, após uma errática e inconstante campanha na temporada de 2011, abre o certame deste ano com uma bela vitória. Ponto para ele, pois sua moral dentro da equipe Penske não estava lá essas coisas e é importante começar a temporada com o pé direito. 

Porém, o Brasil ligou o televisor na Band não para ver Hélio Castro Neves, e sim Rubens Barrichello. Após uma surpreendente pré-temporada, em que Rubinho chegou a ser o quarto mais rápido nos treinos livres, seu rendimento na primeira prova do ano esteve muito abaixo do esperado. Após ter problemas no carro nos treinos livres, Rubens se classificou em 13º lugar no grid, fez uma prova burocrática, e terminou a corrida na 17ª posição, sendo o antepenúltimo entre os pilotos que completaram a prova. E ainda por cima ficou duas voltas atrás do primeiro colocado.

Tudo bem que é a primeira corrida de Barrichello, ele ainda está se adaptando, mas, para aqueles que esperavam que ele chegasse na categoria como um novo Nigel Mansell, o fim de semana foi muito frustrante. Para quem não sabe ou não se lembra, em 1993 Nigel Mansell saiu da Fórmula 1 para correr na IndyCar e venceu de cara a primeira prova que disputou. Acabou mais tarde vencendo o campeonato daquele ano.

O torcedor brasileiro, com sua típica lavagem cerebral (realizada através dos programas de televisão da Vênus Platinada, claro) de só torcer pelo esportista nacional se o mesmo estiver vencendo, não perdoou Rubinho. Nos fóruns e listas da Internet, o que se vê é Barrichello sendo escrachado de toda forma. De qualquer jeito, Rubinho ainda tem uma posição cômoda. É ainda a primeira corrida do campeonato e ele paga sua vaga no grid através de patrocinadores pessoais.

Do outro lado do planeta, quem não está em situação nada cômoda é Felipe Massa. Durante os treinos livres para o Grande Prêmio da Malásia, os carros da Ferrari voltaram a mostrar toda a sua deficiência, prejudicando ambos os pilotos. Porém, durante a corrida em si, uma chuva monumental desabou sobre o autódromo e Fernando Alonso mostrou porque é Fernando Alonso. Superou no braço as deficiências do carro e levou a Ferrari a uma improvável vitória.

Alonso: Tirando leite de pedra.
Embora o próprio Alonso tenha admitido que aquela vitória não significava muito, visto que a Ferrari precisa melhorar o carro para a disputa de prova em condições meteorológicas normais, o acontecido serviu para dar um pequeno alívio no pesado clima reinante na equipe italiana. O único que não se aliviou ali foi Felipe Massa, que acabou chegando somente na 15ª posição, na frente apenas dos carros das três equipes nanicas (Caterham, Marussia e Hispania).

Se o clima para Massa já estava ruim em função das intermináveis cobranças tanto da equipe como da imprensa italiana, certamente agora a coisa piorou de vez. A apatia que vem sendo demonstrada por Felipe dentro das pistas está sendo fatal para ele e muitos apostam que Massa acaba saindo da equipe ainda no meio da temporada.

A princípio, não creio muito nessa possibilidade pois qualquer um que entrar no lugar de Massa terá que enfrentar dois problemas: terá que pilotar um carro ruim e enfrentar a concorrência de Alonso, que é um daqueles gênios do automobilismo; superá-lo não é tarefa para qualquer um. Não sei se será fácil achar alguém disposto a cometer tal suicídio.

Porém, como na equipe do Cavalinho Rampante a emoção às vezes fala mais alto, tudo pode acontecer. Um dos cotados para a vaga é Sergio Perez, mexicano que atualmente pilota para a Sauber mas é vinculado à Ferrari. Ficou em segundo lugar na prova e por pouco não ultrapassou Alonso e venceu a prova. Entendo que, pelas razões citadas no parágrafo anterior, levar Perez para a Ferrari no momento atual seria arriscar queimar o filme de um jovem talento. Mas concordo que a paciência de Maranello com o piloto brasileiro já esgotou. E lá as coisas são resolvidas à moda italiana: Bota o capo pra fora e segue em frente.

Massa chegou ao ponto de nem mais ser escrachado pelo torcedor brasileiro, tamanha a falta de entusiasmo do público com ele. Até a própria Globo o abandonou, sendo que desde o ano passado a Vênus Platinada já tinha elegido Bruno Senna como seu novo queridinho. E Senna acabou fazendo bonito nessa prova. Com uma Williams novamente em ascensão, obteve um ótimo sexto lugar. Que continue assim; desejamos boa sorte para Senna, e mais ainda para Felipe Massa.

O ferrarista vai precisar.

domingo, 25 de março de 2012

Penélope


Certa vez, Nasi (ex-vocalista do Ira!) disse sabiamente que o cenário alternativo de Salvador (BA) tinha revelado muita coisa interessante para a música brasileira. Uma destas grandes revelações foi a cantora Érika Martins, que em 1995 se aventurou ao desafio de formar uma banda de rock composta só por mulheres. Assim nascia o Penélope Charmosa, que, por questões legais com a Hanna-Barbera acabou virando somente Penélope.

A banda durou até 2004. Conforme dá pra ver na foto acima, o Penélope acabou admitindo a entrada de rapazes, mas sempre manteve o som marcante que continuou sendo a marca registrada de Érika Martins em seus trabalhos subsequentes. Então, chega de conversa, hoje é dia de Penélope no Domingo Musical:

(Obs: Fiquei muito feliz em saber que a própria Érika tomou conhecimento do nosso post e o divulgou em seu twitter. Poxa, adorei mesmo pois sou fanzaço dessa moça!!! Ganhei meu dia!!!)

Penélope
Caixa de Bombom


Penélope
A Fórmula do Amor


Penélope
Nada Melhor Pra Mim


Penélope
Holiday


Penélope (Part. Samuel Rosa)
Continue Pensando Assim


Penélope
Namorinho de Portão

sábado, 24 de março de 2012

Itatinga (SP): A Vila e a Estrada de Ferro


Me impressiono como há sempre lugares novos a se desbravar no Brasil. Pesquisando aqui e ali, encontramos muitos locais pitorescos, que às vezes ficam ao redor das grandes metrópoles, mas que nem sempre são de conhecimento do grande público. 

Lendo o Fórum SkyscraperCity, me deparei com um belíssimo registro fotográfico realizado pelo forista Caco na Vila de Itatinga, localizada no município de Bertioga (SP). A simpática vila serve como moradia para os funcionários da Usina Hidrelétrica de Itatinga. O complexo no qual está incluso o lugarejo, que pertence à Companhia Docas de São Paulo e tem como finalidade gerar eletricidade para o Porto de Santos, é atendido por uma pequena ferrovia por onde rodam trens de passageiros para moradores da vila e também para eventuais turistas, além de composições de serviço que atendem à Usina.

Situado à Serra do Mar, o Complexo nos proporciona fantásticas composições de cena. Dezenas de fotos e detalhes adicionais sobre Itatinga estão disponíveis nos seguintes threads do Fórum SkyscraperCity:





sexta-feira, 23 de março de 2012

Poder Sem Pudor


O humorístico Zorra Total, da Rede Globo, possui um quadro denominado Metrô Zorra Brazil, onde um trem metroviário, conduzido por uma paródia de nossa Presidente Dilma Rousseff, é palco de diversas situações inverossímeis, incluindo a participação da dupla Valéria e Janete.

O nome do quadro não poderia definir melhor a zorra que se tornou a condução deste governo por nossa Presidente. De fato, o trem da alegria formado pela base aliada, esta notável coligação de partidos que sustenta o continuismo do governo do nunca antes na história deste país, cada vez mais vai se tornando um trem dos horrores - pelo menos para a Presidente.

Conforme dito em outros posts, por mais que o Governo Lula tivesse problemas, ele conseguia se manter impávido em função da figura quase messiânica que o ex-presidente possuía. Já com Dilma a coisa não funciona assim. A figura de dama-de-ferro que a então ministra cultivou durante o Governo passado foi se perdendo aos poucos, trocando-se uma imagem firme e forte por uma figura apática e passiva. E hoje chegamos ao ponto da base aliada não ter mais nenhum respeito por Dilma.

Todo mundo sabe que a única razão de um partido apoiar outro que está no poder é a troca de favores. Em outras palavras, você me dá um ministério para eu lotear com meus apadrinhados, e eu te apoio. Simples assim. Ninguém é inocente de achar que a base aliada de Dilma a apoia porque está interessada em auxiliar o desenvolvimento do país e contribuir para o engrandecimento da nação. Não, eles querem cargos e poder.

Só que antigamente isso era velado. A cobrança de cargos era feita de maneira muito discreta. Mas neste governo sem rumo, em que ninguém se entende e ninguém toma as rédeas de nada, a base aliada perdeu o pudor. Em meio à rebelião dos aliados, que ameaça inviabilizar o Governo Dilma, representantes de partidos vão à televisão afirmar sem nenhuma cerimônia que só apoiam o governo se houver uma compensação

Ou seja, isto só vem a confirmar tudo que estamos dizendo nos últimos tempos. Ninguém ali (nem no PT), está interessado em formular um projeto para o País. O Partidão e sua base aliada só querem se servir da nação, e agora fazem isso sem o menor pudor. E quando os interesses próprios de cada partido batem de frente com os dos outros, se instala a zorra. E as prioridades do país, como ficam?

Saímos da democracia para entrar na interessecracia. Aonde iremos parar?

quinta-feira, 22 de março de 2012

Impasse Institucional no Setor Elétrico


Os amigos que passam seus olhos por estas páginas já entendem que eu tenho uma posição política bem definida. Sou de direita, e tenho verdadeiro pavor da esquerda, pois estes quase sempre defendem a bandeira da moral e do bem-estar social mas nunca estão acima daquilo que eles mesmos pregam. Mas a direita também não é perfeita. E hoje gostaria de comentar aqui sobre um problema gerado no Governo Fernando Henrique Cardoso que pode trazer muita dor-de-cabeça para o Brasil no futuro.

Vamos observar com atenção o seguinte trecho da Constituição da República Federativa do Brasil:

Art. 21 Compete à União: 

XII - explorar, diretamente ou mediante autorização, concessão ou permissão:

b) os serviços e instalações de energia elétrica e o aproveitamento energético dos cursos de água, em articulação com os Estados onde se situam os potenciais hidroenergéticos;

Ou seja, entendemos que a União pode explorar os serviços de geração, transmissão e distribuição de eletricidade ou repassá-los a outrem, sempre observando os dispositivos legais relacionados à concessão de serviços públicos. Mas o que poderíamos entender como exploração direta? Como é de conhecimento público, a Eletrobras, maior empresa de energia elétrica do país, é uma Sociedade de Economia Mista, ou seja, uma empresa aberta à participação de investidores privados em sua composição, porém, se mantendo sob controle acionário da União.

Delenda Eletrobras Est?
No governo FHC, tinha-se a intenção de privatizar todo o Sistema Eletrobras. No final das contas, somente a Eletrosul, responsável pela geração de eletricidade no sul do país, foi privatizada. Porém, isso acabou criando um impasse institucional grave. Já que tudo iria mesmo ser privatizado, criou-se um modelo de exploração do setor elétrico em que as empresas teriam um prazo definido de concessão. Ou seja, no final das contas, todas as usinas, linhas de transmissão, e similares seriam propriedade da União, porém, ficariam sob responsabilidades dos concessionários durante o período de vigência do contrato de concessão. Findada a concessão, nova licitação aconteceria e uma outra empresa poderia assumir todos os ativos da anterior e prosseguir com a exploração do referido objeto contratual.

Como a Eletrobras é uma Sociedade de Economia Mista, sua atuação não pode ser considerada como exploração direta do setor elétrico por parte da União. Na verdade, forçando-se um pouco a barra, poderia-se até considerar suas operações como exploração direta, mas não seria o mais correto. Sendo uma Sociedade Anônima, ela deve responder aos interesses e demandas não só do acionista majoritário (no caso, a União), mas também aos minoritários. Por isso, ela está sujeita a mesma regra que se aplica aos outros operadores do sistema elétrico: suas subsidiárias tem um prazo de concessão definido, e, findo este prazo, suas usinas e linhas de transmissão terão que ser colocadas em licitação.

Eu creio que este cenário institui uma confusão generalizada no setor elétrico. Uma vez que no Brasil a presença do estado ainda é muito forte nesta área, realmente não entendo o porquê de se tomar certas atitudes que só vem a enfraquecer a Eletrobras. Suspender a privatização de suas subsidiárias foi um grande acerto, mas colocar um prazo de concessão definido às mesmas soa estranho. Imaginem a Chesf (Companhia Hidrelétrica do São Francisco), que tanta importância social tem para o Nordeste, tendo que entrar em uma licitação para brigar pelo direito de explorar as usinas que já opera há tanto tempo.

E, por incrível que pareça, esse Governo do Partidão, sempre tão crítico às privatizações, nada faz para reverter o quadro. Quando as concessões das empresas do Sistema Eletrobras findarem, poderemos ver uma onda de privatizações de facto, pois a Eletrobras terá que concorrer de igual pra igual com outras empresas que porventura queiram operar seus sistemas. E poderá perder muito de seu atual patrimônio.

É o Governo instituindo para si próprio um fator de insegurança para sua política energética. Considerar as operações da Eletrobras como exploração direta realmente soam como forçação de barra, mas os interesses estratégicos do país estão muito além de uma interpretação da legislação que não beneficia o maior interessado na questão - no caso, o próprio Brasil.

Um sistema elétrico privado, bem regulado, pode ser muito funcional. Mas não creio que este seja o caso no momento. A importância do estado como fomentador de investimentos se faz deveras necessária. E o Brasil precisa tomar alguma atitude que impeça um impasse institucional no sistema elétrico nacional.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Telecurso de Artes Plásticas - Aula 01


Hoje vamos iniciar mais um módulo do Novo Telecurso: as aulas de Artes Plásticas do Ensino Médio. Bons estudos!



Arte é para todos? Na busca da resposta, você verá que a capacidade criadora é inata ao ser humano. Verá, também, que a apreciação artística é um aprendizado e irá conhecer o Renascimento e o Barroco.

terça-feira, 20 de março de 2012

A Cultura do "Jeitinho"


Neste domingo, o Brasil pôde assistir no Fantástico mais um exemplo de como a coisa pública é tratada de maneira leviana em nosso país. Um repórter, se passando por responsável por compras do Hospital de Pediatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), contatou vários tradicionais fornecedores da entidade para participarem de fictícias concorrências em caráter emergencial. As referidas empresas enviaram funcionários e até diretores para tratar pessoalmente como a licitação seria direcionada para que elas pudessem vencer e qual a porcentagem de comissão que o servidor público responsável pelo pregão embolsaria.

Trata-se de algo escandaloso e chocante, mas tenho a certeza de que ninguém, no fundo, se sentiu surpreendido com as cenas. Qualquer um no Brasil sabe que é assim que as coisas funcionam no serviço público. É assim que grandes funcionários públicos e políticos conseguem acumular patrimônios acima de seus proventos. Como a funcionária de uma das empresas admitiu, este tipo de negociação é praxe. Os representantes dos preponentes lidavam com a situação de fraudar a licitação com a maior naturalidade do mundo, como se fizessem isso (e realmente o fazem) com tudo e todos o tempo inteiro.

Este caso do Hospital da UFRJ certamente é pinto perto de muitas coisas que acontecem por aí. Um exemplo claro é a Copa do Mundo. Em Brasília, Congresso e Governo se degladiam na discussão de coisas irrelevantes como autorização de consumo de bebidas nos estádios, enquanto muitos empreiteiros e políticos estão faturando alto com reformas e construções de estádios. Dá até para pensar se tudo isso não é feito de maneira proposital para desviar os olhos da opinião pública daquilo que realmente deveria ser prestado atenção.

Enquanto o dinheiro público jorra solto em negociatas e maracutaias, as crianças estão sem escola, os hospitais estão sem médicos, o transporte público é ineficiente e a política de habitação é falha. Fico aqui me lembrando de tudo que abordamos na nossa série temática sobre o Documento 72 do Livro de Urântia. Enquanto aqueles que estão no controle do poder não tiverem respeito para com as instituições constituídas, nunca teremos uma sociedade igualitária. Mas isso importa a eles? Claro que não. Como ficou bem claro na reportagem do Fantástico, a ideologia deles é pouca farinha, meu pirão primeiro e salve-se quem puder.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Apagam-se as Luzes Vermelhas

O homem a ser batido.

O título do post de hoje pode sugerir que iremos falar sobre o fechamento dos prostíbulos. Mas não, as luzes vermelhas das quais falamos são os sinais que, após apagados, indicam o início de mais uma corrida de Fórmula 1. Ontem iniciou-se a temporada 2012 do certame, e pudemos ver muitas coisas interessantes.

Em primeiro lugar, nossas previsões se cumpriram, ao menos em parte. No dia em que Rubens Barrichello deu uma entrevista coletiva em São Paulo para anunciar que assinara contrato para disputar a temporada de 2012 da IZOD IndyCar Series, o jornalismo da Vênus Platinada foi até lá e transmitiu parte do evento ao vivo dentro do Globo Esporte, algo impensável para os padrões globais de cerceamento da concorrência. Fiquei contente, pois a Globo fez questão de dar um apoio a um personagem a qual ela tanto se serviu. Só que a situação de exceção não perdurou muito.

Como eu havia previsto, Galvão Bueno até falou bastante de Rubens Barrichello durante as transmissões do treino de classificação. Disse o quanto Rubinho faz falta ao certame, que ele vai deixar saudades, etc. Mas não fez nenhuma menção ao novo desafio profissional de Rubens. Ao mais leigo, dá a entender que Barrichello se aposentou. E no dia seguinte, na corrida, Rubens só foi citado por Galvão na transmissão porque Felipe Massa comentou sobre ele durante a entrevista que deu ao repórter Carlos Gil antes da largada. Se não fosse por isso, teria passado em branco. Mas tudo bem, Vênus Platinada é isso aí mesmo.

Sobre a corrida em si, tivemos uma merecida vitória de Jenson Button. Gosto do estilo dele, é um cara esforçado, regular, que sabe esperar o tempo propício para dar o bote. Ao contrário de Fernando Alonso, que chegou na McLaren peitando todo mundo e querendo passar por cima do queridinho Lewis Hamilton na marra, Button chegou de maneira humilde, foi crescendo dentro da equipe, e hoje tem a McLaren na mão, além também de ter a competência e a constância necessárias para ser campeão mundial - constância essa que tanto faz falta a Lewis Hamilton.

Button me lembra muito um sujeito que foi possivelmente um dos mais injustiçados pilotos da história da Fórmula 1: Jarno Trulli, competente e regular, mas que nunca teve a sorte de estar no lugar certo e na hora certa. Mas, automobilismo tem dessas coisas.

A Red Bull mostrou que está um passo atrás da McLaren, mas tem todas as condições de melhorar. Mercedes e Lotus parecem vir como a segunda força, bem mais fortes do que eram ano passado. Já a Ferrari teve um desempenho tão errático que prefiro nem comentar nada. Vamos ver como eles se saem na próxima corrida. Apesar do clima de velório que ronda a equipe, não acredito que eles estejam tão ruins. A scuderia do cavalinho rampante não está nada bem, mas ainda acho precipitado falar em desastre total.

A Williams foi uma boa surpresa. A equipe conseguiu entrar nos trilhos de novo e pode crescer muito durante a temporada. Ainda sim, o trabalho para voltar a ser uma grande equipe ainda é de médio a longo prazo. Por isso, não adiantaria muito para Barrichello continuar, visto que dificilmente ele ficaria na Fórmula 1 em 2013. Penso que para Rubens sair agora foi melhor, pois na IZOD IndyCar Series ele terá melhores condições de lutar por vitórias e pelo campeonato de maneira imediata; na Williams, isso não seria possível. Por mais que se esforçasse, poderia ter uns momentos de destaque, mas no final não passaria de um figurante.

domingo, 18 de março de 2012

Maria Cecília e Rodolfo


Na semana passada o Domingo Musical fez uma pequena viagem no tempo e relembrou os sucessos do Trio Parada Dura, um dos ícones do sertanejo de raiz. Então, hoje voltamos ao presente e apresentamos alguns dos grandes sucessos do casal 20 do sertanejo universitário: Maria Cecília e Rodolfo.


Maria Cecília e Rodolfo
Presente de Deus



Maria Cecília e Rodolfo
Os Dias Vão



Maria Cecília e Rodolfo
Você de Volta


Maria Cecília e Rodolfo
Três Palavras


Maria Cecília e Rodolfo
Deixa Eu Te Amar


Maria Cecília e Rodolfo
Evidências

sábado, 17 de março de 2012

Rumo a Tóquio


As facilidades do mundo moderno nos permitem muitas coisas sensacionais. Uma delas, claro, é conhecer o mundo sem sair de casa. Eu sempre quis conhecer o Japão, mas, na impossibilidade de ir até lá in loco, estou-o fazendo através do Google Street View. Através desta interessante ferramenta, fiz uma exploração urbana pelas ruas de Tóquio, e encontrei várias cenas pitorescas, as quais compartilho agora.


Um bonito jardim em estilo oriental localizado no meio de ruelas da
área central de Tóquio.


Um estacionamento para 05 lugares, no meio de uma ruela. Notar
a máquina de refrigerante exposta ao sol.

Uma simpática esquina de duas ruelas, tão comuns nas cidades japonesas.
Junto à ela, as sempre onipresentes máquinas de refrigerante.

Será um cemitério?

Uma construção em estilo tradicional. Seria um restaurante?


Uma oficina onde só cabe um carro (no Japão, espaço vale ouro),
um pequeno jardim, e uma lojinha.


Uma bela casa com jardim, e a Polícia sempre a postos!

Todas estas imagens são fotos do Google Street View realizadas nessa região de Tóquio. Certamente há muito mais coisas pitorescas e interessantes para se observar na região. A aventura continua com você, boa sorte!

sexta-feira, 16 de março de 2012

Sustentabilidade em Pandora

No artigo Falando de Sustentabilidade escrevi sobre a grande mazela de nossa civilização: O Progresso. O progresso é inevitável, pois ele nos traz um muito mais confortável de se viver. Não temos como voltar atrás e abrir mão das facilidades do mundo moderno, como bugigangas do calibre de telefones celulares, computadores, blackberrys, iPads, e outros.

Será mesmo?

Refletindo sobre isso, me veio à cabeça o épico de James Cameron que se tornou a maior bilheteria da história: Avatar. Para quem não se lembra da história, vamos dar uma refrescada na memória:


Jake Scully, paraplégico, é selecionado para uma missão em um distante planeta chamado Pandora. Lá, uma empresa terráquea explora jazidas de um raro minério e enfrenta a hostilidade dos nativos, o povo Na'vi. A missão consiste em contatar os nativos e tentar persuadí-los a cooperar com os intuitos da poderosa mineradora.

Estes contatos são feitos através de bio-robôs chamados avatares. Os avatares são corpos Na'vi desenvolvidos através de avançada engenharia genética e que podem ser mentalmente controlados à distância por um humano. O avatar que Jake usa havia sido desenvolvido para uso de seu irmão gêmeo, que morreu antes de poder embarcar para Pandora. Jake se voluntariou para substituir seu irmão, com a promessa de que caso aceitasse ir para Pandora seria operado para recuperar os movimentos das pernas quando retornasse. Por serem gêmeos, verificou-se que haveria compatibilidade genética entre Jake e o avatar de seu irmão, podendo ser utilizado sem maiores problemas.

Ao contrário da tecnológica e avançada civilização terrestre mostrada no filme, os Na'vi são criaturas simples, que vivem em cooperação mútua, harmonia com a natureza e com o planeta. E este paradoxo começa a fervilhar na cabeça de Jake quando o mesmo passa a viver junto aos nativos. Afinal, quem ali realmente possuía uma real liberdade?

E o filme prossegue mostrando a desconstrução dos paradigmas de Jake. Valeria a pena continuar dando sua vida por uma causa mesquinha? Toda a bugiganga tecnológica e as "facilidades" da avançada civilização terrestre o faziam mais feliz do que quando estava junto aos Na'vi?

Trazendo esta discussão para a Terra atual, perguntamos: Vale a pena que o planeta pague o preço das facilidades de nosso estilo de vida moderno? E mais: este estilo de vida moderno nos faz pessoas melhores? Nos faz pessoas mais felizes? Então estamos sacrificando o planeta por coisas que só servem para atender ao nosso ego?

As cartas estão na mesa. O que a humanidade decidirá de seu futuro?

quinta-feira, 15 de março de 2012

Telecurso de Música - Aula 05


Hoje encerramos as aulas de Música do Novo Telecurso. Esperamos que tenha sido proveitoso para você e sua família. Semana que vem iniciamos as aulas do Módulo de Artes Plásticas. Até a próxima!



A forma da música é como os compositores organizam seus elementos de acordo com suas ideias musicais. Você vai conhecer alguns movimentos musicais do século XX e seus expoentes.



quarta-feira, 14 de março de 2012

RoboCop de Elite

Pede pra sair, Zero Dois!

Lendo as notícias da Internet, tive a grata surpresa de saber que o diretor José Padilha, responsável pela filmagem da bem-sucedida bilogia Tropa de Elite, está à frente do novo filme da franquia RoboCop. Fiquei muito entusiasmado, pois acho que ele possui o ponto de tensão ideal para ser aplicado em filmes como o do Policial do Futuro.

Na verdade, Padilha irá dirigir um remake do primeiro filme, que, por sinal, ainda é o melhor de todos. As duas sequências, roteirizadas por Frank Miller, não são necessariamente ruins, só que elas ficaram com um toque demasiadamente surreal, típico das obras de Miller. O primeiro filme, tirando-se a parte de ficção científica envolvendo a construção do ciborgue policial, era mais realista e verossímil, embora um ponto do enredo ainda possa parecer deveras estranho aos nossos olhos: a história se passa em uma cidade onde uma corporação com interesses escusos toma o controle dos serviços públicos e passa a usá-los ao seu bel-prazer.

Como nos é revelado no início do primeiro filme, a Omni Consumer Products (OCP), uma mega-corporação empresarial, começa a se aventurar em negócios que aparentemente não oferecem lucro: hospitais, prisões, e a própria Polícia de Detroit, cuja administração foi concedida à OCP pela Prefeitura.

Com o típico olhar capitalista inerente à grandes corporações, a OCP começa a desenvolver um projeto de um policial que não precise receber salários, não entre em greve, e que seja extremamente eficiente. Daí nasce o RoboCop, que, se formos analisar de maneira coesa, trata-se de uma aberração. Um verdadeiro Frankstein. Tudo bem que Alex Murphy já estava praticamente morto e usá-lo no projeto RoboCop seria a única maneira de deixá-lo vivo, mas ninguém o perguntou se ele queria ser uma cobaia para o experimento. Outrossim, nada garante que mais tarde a OCP começasse a usar pessoas saudáveis para experimentos semelhantes, talvez até raptando mendigos na calada da noite com a ajuda da força policial sob seu controle.

Nos filmes subsequentes, já marcados pela ótica exagerada de Frank Miller, a OCP resolveu controlar a cidade toda, sempre usando do controle da força policial para ajudar neste intento. Fico pensando o quanto é perigoso termos forças públicas a serviço de razões particulares, como vemos em muitos governos estaduais no Brasil, quando pessoas que foram eleitas para servir ao povo usam seus cargos para desenvolver seus próprios interesses.

Aí está um prato cheio para José Padilha. Várias questões polêmicas que podem render muitas situações interessantes. Certamente, com toda a sua competência, ele fará um dos melhores filmes dos últimos tempos.

terça-feira, 13 de março de 2012

Entendendo o Microprocessador


Hoje faremos uma dissertação empírica. Vamos tentar entender como funciona um microprocessador, projetaremos um sistema simples de computação, e escreveremos programas para serem executados pelo mesmo. Vejamos o seguinte esquema:

Clique para ampliar.
Cada letra significa um bit, ou seja, informação binária que pode assumir o valor "0" ou "1" de acordo com o contexto. Vamos analisar com maiores detalhes:

  • Bits A a H: Barramento de entrada, ou seja, o local por onde entraremos com dados no processador.
  • Bits I a L: Informação alojada na memória EEPROM, ou seja, dados que ficam gravados de maneira permanente e que permitem regravação.
  • Bits M e N: Informação alojada na memória RAM, ou seja, dados que podem ser regravados e que são perdidos se o sistema for desligado.
  • Bits O e P: Referentes aos dois LEDs (diodos emissores de luz) que funcionam como dispositivo de saída. O LED aceso significa que o Bit assume o valor "1"; o LED apagado significa que o Bit assume o valor "0".


A memória EEPROM do nosso sistema possui 4 bits, ou seja, 1/2 de byte (compare com a capacidade do HD do seu computador). Os endereços #00 e #01 alojam informação de 1 bit, enquanto o endereço #10 aloja informação de 2 bits. A memória RAM possui 2 bits, ou seja, 1/4 de byte (novamente compare com a memória do seu computador), está alocada no endereço #11 e tem a capacidade de alojar 2 bits. Notar que o sistema possui parâmetros mínimos de maneira proposital, para que o entendimento de seu funcionamento se faça o melhor possível.

Entendido isto, vamos então analisar os comandos do processador. No barramento de entrada, os bits A a D significam a natureza do comando, enquanto os bits E a H demonstram as informações acessórias. O comando possui uma notação amigável (semelhante à Linguagem Assembly), que é convertida diretamente em linguagem de máquina para ser lida pelo processador. No primeiro exemplo que veremos abaixo, os bits A a D assumem o valor "0001", que significa o comando Clear. Já os bits E e F assumem valores aleatórios de acordo com o contexto ao qual você precise usar o comando, enquanto os bits G e H assumem valores que relacionam o contexto ao endereço de memória ao qual a aplicação será executada.

Confuso? Então, para clarear a mente, vamos analisar em detalhes os comandos do processador:

Clear: Comando para apagar os dados tanto da Memória EEPROM quanto da Memória RAM, ou seja, definir os bits com o valor "0".
Formato: 0001XXYY, onde:
a) Se XX = 00, o comando apaga os dados do endereço especificado em YY. 
Exemplo: Clear #10; 00010010 - apaga os dados contidos no endereço #10, ou seja, o slot de 2 bits da EEPROM.
b) Se XX = 01, o comando apaga os dados de todos os endereços da EEPROM. Para este comando, é ignorado o valor assumido em YY, pois ele apagará todos os dados incluídos nos endereços definidos como pertecentes à EEPROM.
Exemplo: Clear Eeprom; 00010100
c) Se XX = 10, o comando apaga os dados de todos os endereços de Memória, tanto da EEPROM quanto da RAM.
Exemplo: Clear All; 00011000

Notar que não existe um comando específico somente para apagar os dados da Memória RAM, pois, para isso, basta executar o comando Clear #11; 00010011

Atente para a formatação usada na descrição dos comandos: por exemplo, Clear #11 é a notação amigável, enquanto 00010011 é o código binário a ser introduzido no processador para que o comando seja executado.

Set: Comando para definir o valor de um endereço.
Formato: 0010XXYY, onde:
XX denota o endereço e YY o valor.
Exemplo: Set #10 11; 00101011 - define o valor do endereço #10, na EEPROM, como sendo "11". Notar que como os endereços #00 e #01 só aceitam 1 bit, qualquer valor diferente de "0" definido para estes endereços será registrado como "1".

Copy: Comando para copiar dados entre os endereços de memória.
Formato: 0011XXYY, onde:
XX denota o endereço origem e YY o endereço destino.
Exemplo: Copy From #11 to #10; 00111110 - copia os dados do endereço #11 da memória RAM para o endereço #10 da memória EEPROM. Notar que, assim como definido no comando Set, se você copiar um dado de 2 bits para um endereço de 1 bit, poderá haver perda de informação, pois o endereço destino não possui capacidade suficiente para alocar os dados.

Output: Comando para transferir os dados contidos na memória RAM para o dispositivo de saída.
Formato: 0100----
Exemplo: Output; 01000000 - os valores assumidos nos bits E a H são indiferentes.

And: Aplica a função E (ver Álgebra de Boole na Wikipedia para entender as definições das funções E, OU e NÃO) aos valores definidos nos endereços #00 e #01 (EEPROM) e grava o resultado no endereço #11 (RAM).
Formato: 0101----
Exemplo: And; 01010000 - os valores assumidos nos bits E a H são indiferentes.

Or: Aplica a função OU aos valores definidos nos endereços #00 e #01 (EEPROM) e grava o resultado no endereço #11 (RAM).
Formato: 0110----
Exemplo: And; 01100000 - os valores assumidos nos bits E a H são indiferentes.

Add: Soma os valores definidos nos endereços #00 e #01 (EEPROM) e grava o resultado no endereço #11 (RAM).
Formato: 0111----
Exemplo: Add; 01110000 - os valores assumidos nos bits E a H são indiferentes.

Notar que poderíamos ser mais abrangentes e permitir que estes comandos relativos a manipulação de duas variáveis incluíssem também os dados contidos nos endereços #10 e #11, porém, a nossa intenção é simplificar o sistema, mantendo #00 e #01 como fornecedores dos dados a serem calculados, #10 como slot de armazenamento do resultado, e #11 como endereço para manipulação do resultado.

Not: Aplica a função NÃO ao dado contido no endereço especificado.
Formato: 1000XX--, onde:
XX é o endereço do dado ao qual será aplicado o comando.
Exemplo: Not #01; 10000100 - aplica a função NÃO aos dados registrados no endereço #01; os valores assumidos nos bits G e H são indiferentes.

Com os comandos expostos, vamos escrever um programa que faça o seguinte: Limpe as memórias, insira o valor "0" e "1" nos dois slots de memória EEPROM com capacidade de 1 bit, aplique a função E, insira o resultado no dispositivo de saída, aplique a função NÃO e salve o resultado final na EEPROM. Ficaria assim:

Clear All
Set #00 00
Set #01 01
And
Output
Not #11
Copy From #11 to #10

Convertendo para Binário, temos a seguinte formatação:

00011000
00100000
00100101
01010000
01000000
10001100
00111110

Outro programinha que podemos escrever é um que faça os LEDs do dispositivo de saída piscarem de maneira alternada. Para este, podemos gravar os dados de entrada diretamente na RAM, sem precisarmos usar a EEPROM:

Clear All; 00011000
Set #11 01; 00101101
Output; 01000000
Not #11; 10001100
Output; 01000000
Not #11; 10001100
Output; 01000000
Not #11; 10001100
Output; 01000000
Not #11; 10001100
Output; 01000000 
Clear All; 00011000

O programa acima define o valor do endereço #11 como "01", envia-o para o dispositivo de saída, e vai invertendo o valor através do comando Not, fazendo os LEDs piscarem de maneira alternada.

Evidentemente que os processadores modernos possuem comandos muito mais complexos, porém, a base de funcionamento é a mesma. Caso você pretenda ser concorrente da Intel um dia, pode iniciar o seu caminho aproveitando as dicas do nosso projeto.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Guerras e Rumores de Guerras

Ouvireis falar de guerras e rumores de guerra. Prestai atenção
e não vos assusteis, pois estas coisas devem acontecer,
mas ainda não é o fim
- Mt 24,6

O Oriente Médio se encontra em efervescência. Os governos constituídos após as revoluções da chamada Primavera Árabe se mostram fracos, e, outros países, como a Síria, ainda não chegaram ao pretendido verão. Enquanto isso, o país da região que ao menos teoricamente tem as maiores possibilidades de ser uma real democracia vem preocupando a comunidade internacional com um discurso belicista desafiador.

Todos sabem que Israel, sempre com a chancela dos Estados Unidos, é um país imexível. Podem cometer os crimes que quiserem, que continuarão intocáveis. Israel nunca iniciou um conflito armado - nas guerras nas quais se envolveu, sempre foi primeiro atacado por seus vizinhos, e suas forças armadas responderam à altura. E nas guerras em que se envolveu, Israel foi tomando territórios de seus vizinhos. Alguns conseguiu ocupar de maneira permanente, anexando-os de maneira formal ao seu território, e outros continuam como zonas ocupadas e se tornaram um elefante branco. Exemplos disso são a Cisjordânia e a Faixa de Gaza, que são de facto territórios sob controle de Israel, tomados respectivamente do Egito e da Jordânia na Guerra dos Seis Dias, mas o fato dos próprios israelenses não saberem o que fazer com essas áreas e com o povo palestino que lá habita, criou-se a imagem do estado fantoche da ANP, que só serve para fazer figuração.

Algo muito semelhante aos Bantustões da África do Sul da época do Apartheid, que eram estados fantoches criados para segregar a população negra e criar uma maioria branca artificial.

Israel sofreu com a animosidade de seus vizinhos? Sim, mas um erro não justifica o outro. A sede de vingança do estado sionista nunca permitirá que a paz se estabeleça por ali.

Por cometer tantas atrocidades dentro de suas fronteiras e sempre sair impune, Israel pretende agora partir para um plano mais ambicioso: pela primeira vez irá promover uma guerra, atacando os Centros de Pesquisa Nuclear do Irã para impedir que este país construa armamentos nucleares. Tudo em nome da segurança do povo de Israel.

Mas eu me pergunto: A quem realmente interessa um conflito na região? Caso Israel ataque o Irã, o Oriente Médio mergulhará num conflito extensivo e Israel corre o grave risco de ser riscado do mapa. Não vejo o Irã tendo razões para atacar Israel, afinal, se jogarem uma bomba atômica por lá, acabarão morrendo mais palestinos nos Bantustões vizinhos do que no próprio Estado de Israel.

Viva a Guerra!
E a nenhum dos países do Oriente Médio interessa uma guerra generalizada, pois seria um baque na economia (principalmente na exploração de petróleo) e na frágil estabilidade da região. Nem ao Irã, e também nem a Israel.

Então, por quais razões escusas o Primeiro-Ministro Israelense Benjamin Netaniahu deseja expor seu próprio país a um risco tão grande? O filme Dr. Fantástico, de Stanley Kubrick, nos mostra que as guerras são feitas por loucos ou então por pessoas que arriscam a segurança de seus próprios concidadãos em função de interesses mesquinhos. Eu sempre imaginei que Israel, desde o começo de sua fundação, sempre foi pensado pelos poderosos que patrocinaram sua criação como um estado bucha-de-canhão, ou seja, a única razão dele existir é estar ali para servir de estopim para uma Grande Guerra, que, embora não interesse aos países da região, certamente pode interessar a alguém.

E então, Netaniahu será um louco ou um simples pau-mandado?

domingo, 11 de março de 2012

Trio Parada Dura


Quando eu fiz o post sobre Tonico e Tinoco, a minha intenção inicial era fazer em uma única postagem um especial de música sertaneja de raiz. Porém, percebi que não conseguiria reunir em um só post tantos grandes nomes que passaram por este importante gênero musical. Então, decidi que naquele post ficaram somente os sucessos de Tonico e Tinoco e, futuramente, eu homenagearia outros baluartes.

Por isso, no Domingo Musical de hoje, vamos curtir uma seleção do Trio Parada Dura:



Trio Parada Dura
Passa Lá


Trio Parada Dura
Fuscão Preto


Trio Parada Dura
Telefone Mudo


Trio Parada Dura
As Andorinhas


Trio Parada Dura
Homem de Pedra


Trio Parada Dura
Luz da Minha Vida

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