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quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Fim da Linha


Prezados(as) Leitores(as),

Durante pouco mais de um ano, este espaço foi uma testemunha da minha visão do mundo, da sociedade, e de todas as coisas que afetam nosso dia-a-dia. Quando comecei este desafio de manter um blog com ao menos uma postagem diária sobre temas diversos, com textos de minha autoria, não imaginei que conseguiria ir tão longe.

Um ano é muita coisa!

Certamente eu poderia manter o Pensando Adiante ainda ativo por muito tempo. Mas sinto que o ciclo dele se esgotou. Ele cumpriu seu papel e agora sai da blogosfera para entrar na história.

Não haverá mais postagens novas neste espaço. Porém, ele continuará aqui com suas postagens antigas abertas à consulta pública, pois tudo o que aqui foi descrito trata-se de um testemunho sobre o nosso tempo, que certamente encontrará validação por aqueles que no futuro aqui vierem.

Pode ser que um dia eu retorne à blogosfera em um projeto diferente. Tenho algumas idéias em mente, mas isto é um assunto para outro momento.

Cuidem-se bem, e até um dia.


terça-feira, 20 de novembro de 2012

Recuperando a Linha Auxiliar

Será que a Linha Auxiliar voltará a ver trens em seus trilhos?

Após os 13 capítulos de nossa expedição fotográfica pelo trecho da Linha Auxiliar entre Japeri e Paraíba do Sul, e, cientes do estado atual em que o ramal se encontra, o Pensando Adiante faz a seguinte pergunta: Seria viável a recuperação daquele trecho?

Vamos analisar a questão sob a ótica das três possíveis interessadas no retorno da operação de trens no ramal: A Supervia, a Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) e a MRS Logística.

1) Aspecto Comercial:

FCA: Para a FCA, trata-se de um ramal morto, ligando o nada a lugar nenhum. Poderia ter utilidade caso aparecesse alguma carga oriunda do Sudeste Mineiro para a região metropolitana do Rio de Janeiro - ainda sim dependendo da reconstrução dos trilhos de bitola métrica desde Japeri até a cidade do Rio - mas, para a empresa, faria mais sentido levar esta carga até Barão de Angra e transbordá-la para a MRS, assim como ela já faz com a bauxita vinda de Cataguases.

MRS: Poderia fazer sentido para a MRS uma conversão do ramal para bitola larga e uso do mesmo como uma alternativa à Linha do Centro para a movimentação de trens que não sejam muito longos ou pesados - visto que por causa do perfil da linha, e, o fato do trecho passar por áreas densamente urbanizadas, seria contraproducente a operação de um tráfego mais intenso ali. Talvez atualmente não exista necessidade de tal coisa, mas, no futuro, com o incremento do tráfego ferroviário, esta ligação alternativa pode ser útil para a MRS.

Supervia: A concessionária de trens urbanos da Região Metropolitana do Rio de Janeiro poderia implantar um trem de passageiros ligando aquela região à sua malha ferroviária. Em virtude do alto preço das passagens dos ônibus que atendem a região (a tarifa entre o Rio e Miguel Pereira ronda a faixa dos R$ 25,00), uma tarifa atraente poderia atrair passageiros, mesmo que o modal rodoviário possa fazer este deslocamento com maior rapidez.

2) Aspecto Técnico:

Como vimos na série Em Busca da Linha Auxiliar, o fato do leito da ferrovia ter sido engolido pelas cidades em vários pontos, torna praticamente impossível o retorno do tráfego naquela região. Tanto para a FCA e a MRS não seria atraente em um primeiro momento investir na linha e, se a coisa exigir muito atrito com Prefeituras, aí mesmo que elas desistiriam.

Uma sugestão que damos aqui é a construção de uma variante de 15 km entre o Viaduto Paulo de Frontin e Arcozelo. A ferrovia subiria a serra pelo lado direito ao invés do esquerdo e contornaria as cidades de Miguel Pereira e Paty do Alferes, evitando as áreas em que o leito e a faixa de domínio se encontram mais comprometidos.


Evidente que tal variante não serviria aos trens de passageiros, pois passaria por fora do núcleo urbano das duas principais cidades do trecho. Mesmo assim, o leito remanescente pode ser utilizado por trens de passageiros, que por serem mais leves não causariam tanto impacto no meio urbano das cidades atravessadas.

3) Aspecto Financeiro:

No caso da construção de uma variante, é evidente que ela exigiria várias obras de arte. Os trechos remanescentes também precisariam ser adaptados para receber novamente a circulação de trens. Para a FCA esta linha é um ramal morto e a MRS só investiria em algo assim caso houvesse uma necessidade real e extrema, afinal, as concessionárias não estão preocupadas com preservação ferroviária, mas somente com seu lucro.

Mesmo para o transporte de passageiros, o custo de recuperação da linha (que certamente não ficaria nada muito barato) iria pesar muito na balança. Caso o Governo do Estado se sensibilizasse com a necessidade da população daquela região de ter um transporte mais barato, uma luzinha poderia se acender, porém, como hoje todos estão bem-servidos com os caros e desconfortáveis ônibus que operam naquela região, a hipótese da reativação dos trens nem será conjecturada.

Enquanto isso, a Linha Auxiliar, que tanto progresso trouxe àquela região e ao Estado, fica lá, abandonada, esperando adormecida pelo seu destino.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Em Busca da Linha Auxiliar - Parte 13

Hoje apresentamos o capítulo final de nossa saga pela Linha Auxiliar!

As fotos a seguir foram retiradas do Google Maps, do Google Street View e do Panoramio. As fotos do Panoramio estão devidamente creditadas aos seus autores no corpo da imagem.

Paraíba do Sul vista a partir do satélite. Verificar que nesta cidade a Linha
do Centro reencontra a Linha Auxiliar. No mapa, a Linha do Centro vem da
esquerda, na margem norte do Rio Paraíba do Sul. Já a Linha Auxiliar vem
do outro lado do rio. Ambas se encontram no centro da cidade e passam a
seguir juntas até a cidade de Três Rios, onde se separam novamente.

Neste trecho a indexação das imagens está muito ruim. Verifica-se que
as fotos nem sempre correspondem aos locais vinculados no mapa. Deduzi
que a linha, neste ponto, passa por detrás dessas casas.

Deduzo que a linha contorna o morro à frente.

Ponte da Linha Auxiliar sobre o Rio Paraíba do Sul vista a partir
da ponte de carros e pedestres.

Foto da cabeceira da Ponte Ferroviária postada no Panoramio.

Ponte atravessando via pública, já na outra margem do rio. À direita,
pontilhão sobre a Linha do Centro, que volta a encontrar a Linha Auxiliar
neste ponto.

Flagrante do viaduto móvel.

Pátio da Estação de Paraíba do Sul no sentido Rio de Janeiro. À esquerda,
trilhos de bitola larga da Linha do Centro utilizados pelos trens cargueiros
da MRS Logística. Á direita, trilhos de bitola métrica da Linha Auxiliar,
com alguns carros de passageiros estacionados - com algo parecido
com um tênder à frente deles. Onde estará a locomotiva?

O mesmo local da foto anterior, visto no sentido interior. A partir daqui,
os trilhos da Linha Auxiliar estão enterrados.

Em poucos quilômetros, a Linha do Centro e a Linha Auxiliar alcançam a Estação de Barão de Angra, ainda dentro do município de Paraíba do Sul. Lá, a Linha Auxiliar volta a ter movimento; é o ponto final dos trens cargueiros da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) que trazem bauxita de Cataguases (MG). Neste local, a bauxita é transbordada para os trens da MRS, que, por sua vez, leva a carga para São Paulo.

E assim terminamos esta série temática que teve como objetivo resgatar a memória de uma importante ferrovia do Estado do Rio de Janeiro. Sim, resgatar a memória, pois resgatar o tráfego já é uma tarefa mais árdua. Mas isso será tema de uma outra postagem.

domingo, 18 de novembro de 2012

Seleção de Músicas Instrumentais


No Domingo Musical de hoje vamos apresentar uma seleção de músicas instrumentais diversas. Aproveite!


Concerto de Aranjuez na interpretação de Nicolas de Angelis.


Tema do Golpe Hadouken - Anime Street Fighter V.


Tema Principal do Jogo Twinsen's Odissey.


Tema Principal do Jogo Top Gear.


Remix do Tema Lunar do Jogo Duck Tales.

Veridis Quo, música do duo Daft Punk.

sábado, 17 de novembro de 2012

Menulis e Miestas - Dois Puzzles Especiais



Criados pela dupla Jurgis Jonaitis e Justinas Malijonis, o flashgame Menulis e sua sequência Miestas são uma espécie de mini-adventures cheios de divertidos puzzles, numa belíssima viagem a um mundo desenhado à mão e com belíssimas sequências de Jazz como som de fundo.

São joguinhos relativamente curtos, cada um pode ser concluído em menos de 15 minutos. Mas oferecem uma experiência certamente muito diferente de tudo o que você já jogou. Apesar de ambos possuírem o mesmo estilo e inclusive serem protagonizados pelo mesmo personagem, os comandos variam um pouco de um jogo para o outro. Verifique na tela inicial quais são as teclas e os comandos para cada um deles.





sexta-feira, 16 de novembro de 2012

A Cidadania se Inicia nas Pequenas Coisas



Recentemente, a imagem acima me chamou a atenção. Certamente foi tirada em algum edifício comercial onde há um ativo centro para a prática da milenar arte da Yoga.

A Yoga possui vários contextos, mas sempre está associada à elevação espiritual do ser. Torna-se emblemática a visão dos iogues ocidentais em posição de lótus, expressão serena no rosto, roupas leves e um ambiente agradável; todo um cenário preparado para demonstrar para as pessoas o quanto os praticantes desta arte estão em grande nível de elevação espiritual. 

Eu fiz questão de frisar "iogues ocidentais" porque os verdadeiros iogues, aqueles de "raiz", não precisam de toda esta pompa para realizar suas práticas. É evidente que não podemos generalizar. A Yoga é uma filosofia séria, e certamente traz bons resultados àqueles que a vivem por inteiro, de corpo e alma.

E é claro que existem aqueles que a praticam somente para demonstrar aos outros e ao seu próprio ego que estão em uma situação "boa" aos olhos de quem os vêem. Se esforçam em uma determinada prática somente para enfeitar a realidade que na verdade não vem a ser tão boa assim. Aqui estamos dando como exemplo a Yoga, mas esta situação certamente se encaixa em muitos outros contextos.

E então vemos a senhora iogue descendo de seu carro importado, correndo para chegar ao centro de Yoga, e se esquece até de dar um bom-dia ao porteiro do edifício. Acaba por ser um grande deslize de uma praticante de uma doutrina que visa justamente o equilíbrio do ser.

Mas a situação pode ser ainda pior. Pode ser um problema puro e simples de falta de cidadania. Sim, pois praticar a cidadania não é somente fazer protestos em plena avenida ou subir os morros para ensinar música às crianças carentes. A prática da cidadania consiste em ser cidadão, em fazer com que os elos da sociedade se mantenham firmes e funcionando, pois a sociedade só existe com a colaboração de todos, e nesta grande obra da qual todos somos tijolos, todos tem sua devida importância e todos merecem ser tratados com presteza.

Como, por exemplo, o porteiro. Ele é um ser humano como você, e está ali para trabalhar por você e para você. Faça o dia dele mais feliz com um simples gesto de amabilidade. Certamente este pequeno ato irá refletir em toda a sociedade tal qual um "Efeito Borboleta".

São pequenos atos que fazem a diferença, afinal, a sociedade é composta desses pequenos tijolos que concretamos dia-após-dia. Isso é ser cidadão.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

São Tomé na Índia


Após a morte de Jesus, os apóstolos se dividiram e cada um foi para um canto pregar o evangelho. De todos, o que teve o destino menos convencional foi Judas Tomé, aquele que duvidou da ressurreição de Jesus e exigiu tocar em Suas chagas para acreditar no milagre.

Enquanto os demais apóstolos pregaram dentro do Império Romano e em áreas fronteiriças, Tomé teve a difícil tarefa de levar o Cristianismo à Índia. Segundo o livro apócrifo Atos de Tomé, este foi para o oriente contratado como mestre de obras pelo Rei Gundaphorus, que dominava o sudoeste Indiano. Gundaphorus solicitou a Tomé que construísse um palácio para ele, entregando altas quantias na mão do apóstolo, que ao invés de usá-lo na obra, doava o dinheiro aos pobres.

Quando Gundaphorus descobriu o desvio, prendeu Tomé, ao que este disse ao Rei que o seu palácio estaria construído no Reino dos Céus. Ele prendeu o apóstolo em função da afronta e poucos dias depois um irmão do Rei morreu, voltando em espírito para avisar a Gundaphorus que no outro mundo o palácio estava erguido e que em breve ele poderia usufruir de suas instalações. Gundaphorus acabou falecendo semanas depois, talvez sem entender a lição que Tomé tentou te ensinar.

Liberto em seguida, o apóstolo percorreu o sul da Índia pregando e convertendo durante muitos anos. Acabou sendo morto na cidade de Mylapore (que hoje é um subúrbio de Madras) por golpes de lança dos soldados do Rei Misdeus, enfurecido pelo apóstolo ter convertido sua esposa e sua filha.

As comunidades cristãs fundadas por Tomé na Índia, formadas sobretudo por judeus indianos, mantiveram parco contato com as Igrejas da região do Mar Mediterrâneo até a conquista árabe. Após este período, ficaram isoladas até a chegada dos portugueses na Índia, que se surpreenderam com a presença de cristãos nativos na Índia. Este fato serviu fortemente para popularizar a devoção a São Tomé entre os portugueses.

Porém, teria mesmo São Tomé andado por aqueles cantos? Embora o livro Atos de Tomé diga que o apóstolo embarcou diretamente da Judéia para a Índia através de um barco mercante romano, outras tradições dizem que ele teria pregado na Pérsia com Natanael, tendo ido à Índia em seguida. Além da tradição dos Cristãos de São Tomé, existentes até hoje naquele país, existem vestígios arqueológicos, como as chamadas Sete Igrejas e Meia, uma série de oito templos que teriam sido construídos pelo apóstolo no Sudoeste Indiano. Além, é claro, de seu túmulo em Madras, onde os portugueses ergueram uma Catedral em sua homenagem.

Embora a nós possa ficar a dúvida da fantástica peregrinação de São Tomé na Índia, no coração dos nativos que receberam sua mensagem certamente vive a certeza de seu testemunho e da fé que demonstrou em prol dos ideais de Jesus Cristo. 
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